quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Amor de Roda Gigante

Trabalhava como secretária para um Neurocirurgião das 8 às 18 horas, ficava um bom tempo ocioso no período da tarde opôs o início das cirurgias agendadas para o dia. Em uma destas tardes resolvi criar uma conta em uma rede social nova para manter contatos com uns amigos durante esse período, dentre as pessoas ao qual pesquisei umas delas se destacou após aparecer na minha lista de amigos em comum; ele era moreno de uma beleza singular, mas algo nela havia me chamado mais a atenção do que sua bela cor, ele tinha bochechas rosadas que se destacavam na sua pele morena lhe dando um charme a mais. Era um rapaz de pouco mais de 20 anos, alto, corpo atlético e um sorriso de tirar o fôlego. A coincidência maior era que tínhamos um amigo em comum e ele morava próximo a minha casa. Conversamos por alguns minutos, pouco sabíamos um do outro. Ele morava no bairro há alguns anos e com frequência passava pela rua de minha casa, chegamos a nos ver em um destes momentos quando ele estava indo para a academia com o nosso amigo em comum.
Minha Irmã, filha do segundo casamento do meu pai havia nascido há poucos meses e estava maravilhada por ter uma irmãzinha naquela altura da vida. Resolvi enviar algumas fotos para que ele pudesse me conhecer melhor e ver o meu lado família; elogiada pela minha beleza comecei a ficar com um rubor nas minhas bochechas... Ainda bem que ele não poderia ver essa situação, estava a km de distância. Os dias foram se passando e as conversas se tornaram um pouco mais distantes à medida que as tardes de trabalho ficavam mais cheias, então decidi convida-lo para tomar um sorvete no fim de semana. Mal sabia que neste mesmo fim de semana meu mundo iria virar de pernas para o ar, e que tudo mudaria. Conheci um rapaz por quem me apaixonei platonicamente,os meses foram se passando e nossa relação se tornou instável, com brigas e traições terminando assim 5 meses após o nosso 1º beijo.
Estava eu ali diante de um buraco enorme deixado em meu peito, tendo o consolo dos joelhos da minha mãe nas madrugas em que acordava de um sonho ruim ao lembrar que tudo havia acabado e de toda humilhação que ele havia me feito passar. Eu queria sumir por um tempo, e na ocasião estava desempregada com isso me dava à oportunidade de sumir por alguns dias.
Em uma noite resolvi acessar a pagina da nova rede social que há muito tempo não acessava... La esta ele novamente; aquele moreno alto de bochechas rosada ao qual havia por acaso me encontrado no ônibus a caminho do serviço, mas não tinha coragem de falar com ele porque havia me apaixonado por outra pessoa platonicamente durante a nossa ultima conversa.
Tomei coragem e reforcei o convite feito há 5 meses atrás para tomar um sorvete e enfim nos conhecermos melhor, já que éramos praticamente vizinhos não havia empecilhos e distâncias para que isso acontecesse. Ele logo me respondeu rebatendo a minha proposta para que nos conhecêssemos antes do fim de semana. Ele me pediu para que aguardasse e que assim que tivesse a folga confirmada ele me ligaria para que nos encontrássemos.  

16 de Fevereiro de 2009

Passaram-se dois dias desde a última conversa, já se passavam das 21hs quando recebi uma ligação... Era ele!
Aquela voz rouca e calma me fez dar um salto da cama, pois até então nunca havia escutado a voz daquele garoto. Ele logo me disse: _ Daqui a 10 minutos estou subindo, me contra na esquina da mercearia.
Estava eufórica, pois estava desarrumada e ainda nem tinha tomado meu banho, como de costume eu tomo somente quando vou dormir. Resolvi tomar uma ducha rápida e ao mesmo tempo pensando qual roupa deveria usar para ocasião. Nunca havia marcado encontro com nenhum garoto e não saberia como me vestir ou me comportar. Usei uma calça justa que fazia jus as minhas curvas e uma regata justa na cor amarela e um perfume adocicado para conquistar o seu olfato, meus cabelos estavam na altura dos ombros, o mais curto que já usei. Eu estava simples, nada demais, pois o encontro seria a poucos metros da minha casa, mas não queria parecer feia e imunda para um encontro.
Lembro-me da perfeita imagem de um garoto de pouca mais de 20 anos, cor morena e de bochechas rosadas subindo o morro que dava acesso a rua da minha casa, ele estava de calça preta esportiva, um moletom de capuz preto e bonés com uma listra branca. Ele estava com uma roupa bem a vontade, confiante da sua beleza sem se importar com a roupa que vestia e isso me deixou satisfeita, pois demonstrava que ele, por ser tão bonito, não era daqueles garotos esnobes que ostentam roupas caras e carro do ano. Ele era perfeito!
Estava nervosa, minhas mãos suavam frio e o coração acelerado, antes que ele pudesse me ver eu  subi em um banco  – coisa de maluca – e fiquei la em pé como quem não quer nada. Foi quando ele levantou o rosto e pude perceber debaixo daquele boné o rosto de um garoto tão lindo, de uma expressão calma e bondosa... Encantei-me por aqueles olhos de jabuticaba e bochechas rosadas. Ele se aproximou e timidamente como as mãos nos bolsos do moletom Ele me deu um singelo “_ Oi!”. Ele era de longe o moreno mais lindo que já vi. Conversamos por alguns minutos, ali mesmo, ele na calçada olhando para baixo e eu sobre o banco tentando esconder meu nervosismo, resolvi descer e sentar no banco. Pedi a sua ajuda para descer, então foi neste instante que ele me roubou um beijo... Seus lábios eram carnudos e macio, dele emanava um cheiro bom, doce e limpo como que quem havia acabado de sair do chuveiro. Ele era gentil e carinhoso, segurando pela nuca por alguns instantes, senti um arrepio nas minhas costas e se espalhar por todo o meu corpo. Confesso que estava um pouco distante naquele momento, um pouco receosa com todo aquele beijo, pois acabara de ser magoada profundamente, passava as madrugadas no consolo dos joelhos de minha mãe enquanto soluçava de tanto chorar... Não queria me magoar outra vez, não nos próximos meses.

Março de 2009

Depois daquele beijo, nossos encontros foram ficando mais frequentes, a necessidade que tínhamos de estar perto do outro era cada vez maior e o desejo físico já estava ficando insustentável naquele momento. Decidimos após algumas semanas partir para o próximo passo, mas havia um problema... Estava de castigo... Sei que já era bem velhinha para isso, mas eu tive que respeitar a ordem da minha mãe pois ela saberia o que era melhor para mim já que descumpri uma ordem dela. Ele resolveu ir até a minha mãe, conversar sobre as intenções que tinha comigo e se ela o autorizava de me levar para sair combinando um horário de chegada. Ele conquistou o respeito da minha mãe, que o autorizou a me levar para sair. Estava nervosa com a ideia que finalmente iríamos dar um passo a diante, estava com medo, pois não tinha experiência e tão pouco pratica já que ele seria então os três rapazes que ficaria intimamente. Ele era alto e forte... Isso me dava medo diante da magreza em que me encontrava e o medo de “Sabe o que lá ele fará comigo, rs.” Estava tudo combinado, nos veríamos a poucos dias, em quinta-feira para ser exato.
O dia chegou, estava morrendo de medo e de nervosismo sobre como seria, o que deveria fazer e o que não fazer, como fazer.... Eram muitas perguntas na minha cabeça. O telefone tocou, era ele, avisando que estava subindo e que me buscaria em casa. Chegamos ao motel, ficamos  parados na fila esperando para ser atendidos, era muito estranho para mim, ouvia sons e barulhos que me fizeram ter a sensação “ estou entrando em uma roubada”, era a nossa vez e o quarto estava liberado. Havia comprado um lingerie para a ocasião afim de que ficasse mais atraente e bonita para ele; estava diante do espelho do banheiro trocando de roupa e me olhando um pouco mais atentamente as minhas curvas e a ausência de algumas delas. Estava tímida e nervosa quando resolvi sair do banheiro e lhe mostrar como eu estava vestida, era um conjunto de espartilhos cor de cereja e uma meia fina – me senti a atriz Julia Roberts no filme uma linda mulher – estava perdida. Quando eu o vi deitado na cama me esperando somente com uma cueca Boxer na cor amarela é que realmente a ficha caiu, me peguei em um pensamento “_ Como eu vou dar conta desse tamanho de homem?”. Aquele exemplar masculino maravilhoso, forte, alto, um sorriso de deixar as pernas bambas e aquele charme singular... As bochechas rosadas. Perguntava-me “_ Como pode eu, uma magrela sem curvas e de um sorriso aberto conquistar um garoto assim... só pode ser por causa do meu bumbum farto!”. Passamos a noite juntos, ele foi gentil e carinhoso, respeitando os meus limites e me proporcionando prazeres antes desconhecidos, éramos perfeitos na cama.
Os dias foram se passando e o então pedido de namoro chegou aos meus ouvidos, finge que não tinha escutado a indireta que havia me feito sobre o nosso relacionamento se tornar mais sério... Confesso que não estava preparada ainda, pois a mágoa no meu peito ainda era recente, afinal havia se passado pouco mais de um mês do fim de um tórrido romance, cheio de altos e baixos e de traições... Não queria me entregar por enquanto. Acho que ele percebeu que ainda era cedo, pois não tocou mais no assunto por algumas semanas.

1 de Abril de 2009

Era dia do seu aniversário... Ele havia me convidado para comemorar com alguns amigos do trabalho, era uma noite chuvosa e decidimos sair debaixo de um temporal... Foi ótimo, ver aquele olhar de felicidade em seu rosto enquanto corríamos para o carro como duas crianças fugindo da chuva. Era madrugada quando seus amigos decidiram estender a noite para mais um local de comemoração. Eu estava na mesa quando um deles perguntou se eu era a namorada dele. Timidamente ele respondeu:
“_ eu já pedi, mas ela esta me enrolando!”.
Lembro-me do rubor em suas bochechas e do olhar baixo e vergonhoso de quem acabou de revelar um segredo... Ele era realmente um rapaz lindo, em todos os aspectos, tanto por fora quanto por dentro. Naquele instante comecei a me sentir diferente com relação aos sentimos por ele, pense... “talvez já seja a hora de seguir com a minha vida e enterrar meu passado de vez”. Estava decidida que se ele me pedisse novamente em namoro eu aceitaria... e foi assim que aconteceu, naquela mesma noite após um de seus amigos nos deixarem na Rodovia próximo a minha casa ele veio caminhando ao meu lado de cabeça baixa, conversando comigo algo que não me lembro mais... Eu queria que ele parasse de falar e dizer que queria me namorar, mas tive que tomar uma iniciativa e partir para a indireta. No meio da conversa eu brinquei dizendo “_ então quer dizer que você quer me namorar, que você falou para os teus amigos que eu era a sua namorada, não é?” Eu vi que ele ficou um pouco desconsertado e logo disse:
“_Eu quero, mas você não quer então não vou pedir mais!”.
Na hora gelei e pensei – Perdi a oportunidade de ser feliz com ele, burra! – logo disse, mas se você me pedisse novamente eu aceitaria e sorri para ele. Ele me perguntou:
 “_você aceitaria namorar comigo então?”
Disse: “_Sim!”
Então começou nossa historia de pouco mais de cinco anos, nosso amor de “Roda Gigante”.

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