Estava passando por um dos piores
anos de minha vida...
Alguns meses se passaram após o
término de uma longa relação de pouco mais de 5 anos que me despedaçou
completamente, estava extremamente magoada, ferida e de certa forma não me
reconhecia mais diante do espelho, mal conseguia me encarar e analisar a sombra
da pessoa em que havia me tornado. Não a pessoa que sempre fui, mas aquela que
jamais gostaria de ter me tornado. Passei por meses de revolta, tentando de
certa forma matar tudo aquilo que estava sentindo, queria esquecer, afogar
aquele sentimento em outras recordações que não fossem mais aquelas. Em uma
destas minhas revoltas conheci um rapaz através de um aplicativo de encontros, conversamos
sobre quem éramos e o que fazíamos de nossas vidas, sobre o cotidiano e nossas
metas de vida (mal sabia que meu mundo iria mudar completamente) então décimos
nos encontrar pessoalmente na sexta-feira às 20hs daquela semana.
Marcamos o encontro em um shopping
próximo de nossas casas, que por coincidência, ele também morava perto. Havia
acabado de chegar do trabalho e estava um pouco cansada, mas decidida a me
aventurar mais uma vez (vai que desta vez tudo daria certo). Com uma ideia
formada de que meu corpo não deveria chamar mais a atenção do que o meu
interior, decidi ir o mais simples possível. Coloquei um jeans escuro, uma
blusa de manga média floral que estava com um furo remendado há poucos minutos
antes de sair e uma sandália baixa, pois normalmente eu era mais alta que todas
as pessoas da região (sendo dramática). A distância da minha casa até o local
de encontro era pouco mais de 15 minutos e por sorte no exato momento em que
cheguei o ônibus da linha 6350 estava passando em direção ao shopping. Como o
trânsito estava menos intenso naquele horário em poucos minutos consegui chegar
até o local combinado, que seria na praça de alimentação do Shopping. Cheguei
alguns minutos antes no local combinado para o encontro. Decidi pedir um
hambúrguer, pois a fome estava fazendo roncar o estômago, o que não seria nada
sexy em um encontro, estava tentando passar o máximo de confiança possível
comendo aquele hambúrguer, o que não era nada sexy quando uma gota de Ketchup
caiu no meu colo, estabanada como sempre. Além de vestida como mulamba ainda
teria um toque especial de Ketchup, o que ele iria pensar... Porca no mínimo,
mas não estava nem aí, o que mais eu poderia perder sendo que já tinha perdido
tudo. Estrategicamente avistei uma bancada alta no centro da praça de
alimentação que estava com vários lugares disponíveis, neste lugar seria mais
fácil de visualizá-lo ao chegar (uma rota de fuga caso se parecesse como um
maluco ou maníaco). Minutos depois ele chegou com um capacete em uma de suas
mãos. Ele estava vestido com uma bermuda cinza clara e uma camisa gola polo na
cor mostarda, seu semblante parecia como de quem estava afoito e perdido, mas
que enfim teria chegado ao seu destino. Seus cabelos eram negros, seus lábios
eram carnudos e delineados, os olhos de um profundo castanho, suas sobrancelhas
e barba de fios grossos e negros revelando uma beleza bruta e atraente (tirando
a voz, porque quando abriu a boca não era nada atraente). Ele se apresentou e
sugeriu algo para comer, logo respondi que já estava satisfeita, pois acabara
de comer um sanduíche, ele retrucou dizendo: _ Nossa nem me esperou para comer,
fominha! E sorriu.
Era um sorriso espetacular. Na
hora me derreti, mas me mantive acordada e com os pés no chão. Sentimental do
jeito que era e vulnerável pelo momento em que estava vivendo não poderia
deixar que meu coração se bandeasse outra vez sem permissão. Não poderia me dar
ao luxo de se apaixonar...
Tentei afastar qualquer
sentimento com um "peteleco imaginário” e quando voltei à realidade resolvi
responde-lo:
_Acho que cabe mais um hambúrguer
aqui dentro.
Ele disse: _ Você é magra de
ruim, não é? E sorriu novamente.
Foram alguns minutos de poucas
palavras e troca de olhares entre as mordidas de hambúrguer até que ele teve a
brilhante ideia de perguntar a minha altura e pedir para comparar a nossa
altura medindo um ao lado do outro. Antes que pudesse descer do degrau do banco
ele me puxou para perto de si e me deu um beijo firme e macio, naquele momento
todo ar que tinha dos meus pulmões saíram por entre os nossos lábios se
tornando em um suspiro erótico, era a faísca no estopim que faltava para incendiar
aquele beijo. Estava atraída por ele e pelo prazer de um beijo que há muito
tempo não sentia, era um desejo arrebatador e palpável. Ele sentiu o mesmo, me
soltando e olhando dentro dos meus olhos de forma tão profunda. Tentei sentar
no banco sem demonstrar que estava com as pernas bambas e um pouco tonta. Após
mais um tempo de conversa decidir ir embora, pois já passava das 22hs e o local
do ônibus era perigoso. Ele se ofereceu para me acompanhar até o ponto de
ônibus, mas preferi que somente até a porta do shopping já seria o suficiente e
gentil da parte dele. Assim que saímos pela porta do shopping, na intenção de
despedir-se ele me deu outro beijo, desta vez mais ardente e intimo
segurando-me pelos cabelos em minha nuca e um de seus braços envolto em minha
cintura. Ele olhou com aqueles olhos castanhos e profundos dentro dos meus
olhos e pediu para ficar. Ele ainda estava com os lábios encostados nos meus
quando me fez o pedido em forma de súplica. Não poderia recusar ao um pedido
daqueles, estava atraída por aqueles lábios e o que me faziam sentir. Para que
não ficássemos expostos e pudesse constranger as pessoas que entravam sugeri
que ficássemos por alguns minutos apenas em um abrigo de ônibus próximo a saída
do shopping seria o suficiente, e realmente foi o suficiente para que ele me
puxasse de forma brusca para junto do seu corpo e me desse mais um beijo, eu
podia sentir a intensidade de sua vontade ao me beijar, aquele sentimento era
mais do que tudo carnal. Eu não conseguia ir embora, queria aquele beijo mais
que tudo, pois de alguma forma eu esquecia toda a dor e mágoa que estava
sentindo naquele momento... Era meu remédio para dor. Passei o fim de semana
pensando naquele beijo e a forma como me olhava, não imaginava que ele me
ligaria outra vez e antes mesmo de pensar em mandar uma mensagem eu recebi uma
sua me dizendo que queria outro encontro.
O segundo encontro foi decisivo. Decidimos
que esperar o momento certo para acalmar o desejo era fora de questão, teria
que ser naquela noite...
Era um sentimento estranho...
Uma noite intensa e estranha, mas
de certa forma me fazia esquecer como se fosse uma droga e eu sentia que
precisava dele para fechar aquela ferida ou até mesmo esquecê-la mesmo que
fosse por algumas horas. Passamos a nos ver todos os finais de semana, ele
havia me convidado para dormir com ele em sua casa nos finais de semana, mas
naquela época minha irmã tinha um pouco mais de 1 ano e a visitava quase todo
fim de semana. Como combinado eu dormiria de sexta para sábado e na manhã
seguinte ele me levava até o ponto de ônibus. Em certas ocasiões a necessidade de
ficarmos juntos era tão grande que durante a semana ele me mandava mensagem
querendo me ver. Às vezes ele me buscava perto de casa ao sair da faculdade e
outrora me buscava na avenida principal perto de sua casa para que pudéssemos
dormir juntos. Adormecia ao seu lado e pela manhã bem cedo levantava na ponta
dos pés para tomar um banho e me arrumar para ir ao trabalho, quando estava
para sair o acordava com um beijo dizendo que já iria e o deixava dormindo ali no
colchão estendido no chão do quarto aonde dormíamos de forma mais confortável e
silenciosa.
Em uma noite enquanto adormecíamos
sobre o colchão estendido no chão de seu quarto percebi que ele estava me
olhando enquanto adormecia e em um gesto raro ele afagou os meus cabelos, decidi
abrir meus olhos e perguntar se estava tudo bem, pois em uma de nossas
conversas ele disse que por conta de um passado ele nunca mais conseguiu ser
carinhoso, era como uma barreira para ele e isto seria impossível entre nós,
compreendi, pois até aquele momento não alimentava nenhum sentimento por ele
que não fosse carnal, ele era minha espécie de cura momentânea. Daquela noite
em diante ele ficou estranho, meio arredio, mas nunca me fez qualquer
indelicadeza, sempre me tratava com total respeito e atenção, me trazendo
lanches na cama e colocando filmes de desenho para que víssemos abraçados
enquanto tentávamos adormecer, pois ele sabia que eu adorava desenhos. Após um
momento lúdico começamos a debater ideias, entre uma delas religiosa. Eu me
sentia a vontade com ele, em ter estas conversas sem ser recriminada e a melhor
parte era que ele me observava com atenção a cada palavra que dizia sem me
interromper como se estivesse aprendendo algo, absorvendo as palavras que dizia
e assim que terminava ele debatia comigo de forma a compreender o que tinha lhe
falado, mas colocava a sua opinião de forma que não me ofendesse e sim de uma
forma que nossas ideias se unissem, era maravilhoso conversar com ele. Um homem
inteligente e culto de gosto musical clássico; o que de certa forma me irritava
quando ele queria dormir ouvindo Mozart... Queria dormir com o silêncio e não
com Mozart. Tudo o que estava vivendo com ele durante aqueles três meses me fez
começar a sentir algo por ele, eu não sabia definir bem ao certo o que era, mas
já estava me incomodando, até que em uma noite decidir terminar (não era um
compromisso sério, mas estava ficando somente com ele por todo aquele tempo),
expliquei que já era tempo de seguir em frente e que eu queria um
relacionamento sério, queria amar alguém outra vez e que a nossa relação me
impedia disso já que em uma de nossas conversas ele deixou bem claro que não
tinha intenção de namorar, pois estava muito magoado assim como eu e juntos
concordamos em levar aquilo não como um compromisso, mas uma forma de
esquecermos o passado. Confesso que na hora meu olho cismou em descer uma
lagrima, ergui bem às minhas pálpebras para que aquela lágrima secasse e não
pudesse rolar do meu rosto demonstrando fraqueza. Em nenhum momento ele questionou,
nem ao menos se quer olhou em meus olhos, assentiu com a cabeça em um gesto
positivo, virou o rosto para o lado e dormiu sem ao menos me dizer uma palavra
se quer, dormimos cada um para o seu lado naquela noite. Ao me despedir dele
pela manhã lhe dei um beijo na bochecha e lhe disse:_ Adeus!
Ele disse: Você é quem quer!
Fui embora para minha casa e
tentei ainda segurar aquela lágrima que insistia em aparecer até que deixei
cair uma única gota e disse para mim mesma: _Ame a si mesmo primeiramente!
Chega!
Janeiro
de 2016
Havia se passado um desde que
terminei meu relacionamento de aproximadamente 6 ano, eu o amava ainda mas no
fundo eu sabia que não era mais possível reatar o nosso namoro. Eu havia
quebrado o seu coração em tantas partes quanto ele havia despedaçado o meu.
Naquela época encontrei um rapaz de
quem pude ter todo carinho e atenção, mas com o passar dos dias estava ficando
difícil segurar a mágoa do passado e com isso estava machucando ele,
descontando toda a minha frustração em uma pessoa inocente. Confesso que por um
momento eu via nele a chance de ser feliz, mas a minha mente sempre sabotava
meu coração. Em uma noite resolvi ficar sozinha em casa no fim de semana para
descansar, não queria ver meu namorado e nem tão pouco ouvir a frase “Eu te
amo” que ele me dizia todas as vezes que me fazia um carinho. Sabia que estava
sendo egoísta e cruel com ele, mas o som daquela frase me trazia náuseas e
revolta, pois ouvia mais “Eu te amo” em 5 meses que estava com ele do que o meu
ex-namorado de 6 anos, isso me revoltava. Tinha noites em que o toque dele e
seu carinho me irritavam, me trazia tremores pelo corpo como se estive sendo
cortada por dentro. Sempre fui sincera aos meus sentimentos por ele lhe
respondendo o quanto o adorava e ele era especial. Naquela mesma noite ele, a
quem resolvi dizer a Adeus para encontrar um novo amor, resolveu aparecer e
bagunçar ainda mais a minha cabeça perguntando como eu estava e também queria
saber sobre o meu atual relacionamento, o tom de sua voz era como se contasse
vantagem pelo o que ele me fazia sentir quando estávamos juntos e que talvez o
meu atual não correspondesse as minhas expectativas, era muita prepotência dele,
mas de certa forma ele estava correto, trazendo todas aquelas sensações e
estímulos para meu corpo, já estava me perdendo em recordações e sensações
quando tornei a realidade e resolvi afastar os pensamentos com um
"peteleco" imaginário. Pouco tempo depois ele resolveu dizer que ao
ver a foto do meu atual namorado comigo sentiu uma pontada de ciúmes e que
talvez ele estivesse cometido um erro ao me deixar ir, disse que tinha medo por
conta de seu passado. Por um momento ele parou como se estivesse se
repreendendo e voltando a si por ter falado demais. Fiquei balançada com a suas
palavras, mas nada que me fizesse ser infiel ao meu atual namorado, pois já
estava craque em tipo de homens como meu ex, aquele tipo que fazem de tudo para
conquistar o que deseja e após uma semana de ter conseguido o que queriam eles
voltam a serem "Eles mesmos". Quando percebi que a conversa estava
indo para outro rumo tentei Desconversar e dar uma desculpa dizendo que tinha
um compromisso, encerrando por ali aquela conversa estranha. Após desligar o
telefone mais uma vez a nostalgia veio ao meu coração e como um imã de coisas
inusitadas eu recebi uma mensagem de vídeo como uma musica do cantor Lucas
Lucco, sobre relacionamentos do então ex-namorado. Na hora fiquei congelada,
pois não sabia o que fazer, então resolvi mandar somente uma mensagem elogiando
a música e ele logo respondeu me dizendo que, assim que ele ouviu essa musica e
viu a letra logo pensou em nós mas que estava confuso.... Foi um "salto
com piruetas duplas" que o meu coração deu ao ler aquelas palavras. Estava
com tanto medo de digitar, com tanto medo de acreditar que mesmo depois de um
ano separados e tendo aquela nossa última conversa em forma de um desabafo
engasgado por quase 6 longos anos de muitas decepções e mágoas ao qual
despedacei o seu coração e mesmo assim naquela altura da nossa história ele
ainda era capaz de sentir algo por mim que não fosse somente carnal... Mas
estava enganada!
Passados os dias eu já não
conseguia manter o namoro com meu atual, principalmente depois daquela musica
em forma de declaração. Estava confusa e queria me arriscar, entrar mais uma
vez naquela “roda gigante” que era o nosso amor, assim intitulado na nossa
história em uma de suas cartas ao qual fez para mim no dia dos namorados. Na
tarde de quinta-feira resolvi mandar uma mensagem para meu namorado dizendo que
não iria para a cidade de Pirapora com a sua família, esclarecendo meu real
motivo e medo de estrada e que a insegurança de estar no carro com seu pai
dirigindo era muito grande, pois costumava ingerir bebida e no mesmo dia viajar
de volta. Acho que ele já sentia que terminaria com ele, o tom de sua voz ao
telefone quando lhe contei que não iria era de desapontamento, ele estava
empolgado para me apresentar a toda a sua família e ter um final de semana
romântico comigo conhecendo a fazenda de sua tia. Não queria magoa-la, mas a
insistência era tão grande que resolvi dizer que precisava de um tempo para mim
e que no momento que ele retornasse para Belo Horizonte iríamos conversar.
Percebi pelo tom de sua voz um choro engasgado, como se o seu coração parasse
em sua garganta, então ele me disse:
_ Se você quer terminar comigo
não precisa me ver, eu não aguentaria... Você sabe que eu amo você!
Aquelas palavras enviadas era
como duas facas em meu coração, uma por ter lhe dado esperança e outra por ser
uma covarde e aceitar a sua proposta sem ao menos ter a decência de ir até a
sua casa e conversar a respeito. Eu estava farta de dar explicações em minha
vida, sabia que o que estava fazendo era cruel, mas seria muito pior se tivesse
passado o fim de semana com ele e no dia seguinte terminasse a nossa
história... Na verdade eu nunca deviria ter aceitado o pedido de namoro. Eu era
uma pessoa "cheia de remendos e mágoas", não queria ser uma história
ruim na sua vida, mas infelizmente eu fui e me arrependo muito disso, pois ele
é uma pessoa maravilhosa e qualquer garota faria de tudo para ter uma pessoa
como ele, mas o coração é terra sem lei aonde ninguém manda.
Após o termino do namoro, resolvi
procura meu ex por quem ainda sentia amor com o pretexto de lhe entregar
algumas cartas que ficara em uma caixa que lhe dei de presente e após o nosso termino
ele me devolveu em uma tentativa de se reaproximar, mas eu não o quis, pois
sabia que era "dor de cotovelo".
Chegando à sua casa optei por não
descer e lhe entregar as cartas no portão, conversamos um pouco e então percebi
uma brecha ao qual me fez ter a coragem de lhe pedir um beijo (como quem não
quer nada) e ele aceitou. Sugerir para que fossemos até a garagem de sua casa
afim de que os vizinhos não nos vissem e comentasse pelo bairro uma possível
volta (como se eu não quisesse isso na verdade), mas estava tentando
transparecer maturidade e que tinha superado nossa história, aquele beijo seria
somente um "Flash Back" e nada mais.
Tudo não passou de uma ilusão.
Quando toquei os meus lábios no seu senti que era vazio, frio e sem
sentimento... Era estranho beija-lo, mesmo com os anos eu não reconhecia mais
aqueles lábios e o que eles me faziam sentir quando os tocava. Mais uma vez
cometi um grande erro e envolvida pelo prazer que ele estava sentindo decidi “matar
a saudade”... Foi neste momento lúdico que percebi que tudo que ele sentia ou
sentiu foi somente carnal e que todas as suas atitudes durante aqueles anos
foram somente pelo desejo da carne e o que eu proporcionava a ele. Senti-me
imunda como se toda a sujeira do mundo escorresse pelo meu corpo, senti nojo de
mim mesma e por ser tão burra de mais uma vez acreditar que seria possível. Em
uma simples frase ele quebrou os cacos que ainda sobraram de pé dentro do meu
coração dizendo: _ Que saudade da sua boca! Mas infelizmente ela não estava em
seus lábios quando disse. Lembro-me de chegar em casa e chorar todas as
lágrimas possíveis para o resto do ano (seria hipócrita e dramática se dissesse
pelo resto da vida, pois a vida ainda me traria muito outros momentos de
lágrimas, seja de dor ou de emoção).
Após alguns dias resolvi mandar uma
mensagem para ”aquele” que poderia curar esta dor, o único que me faria
esquecer mesmo que fosse por algumas horas...
Estava com raiva de mim mesma,
magoada mais uma vez e decepcionada, Eu queria descontar a minha raiva,
esquecer aquele dia fatídico... Aquela maldita frase!
Assim que enviei a mensagem ele
logo respondeu, no fundo ele já sabia que estava solteira, no mínimo
desconfiava e sem hesitar aceitou a minha proposta de nos encontramos. A
vontade de extravazar toda aquela raiva era tão grande que sugeri par ao dia
seguinte, mas ele já tinha um compromisso e marcou para a terça-feira da semana
seguinte.
23
de fevereiro 2016
Assim que me levantei lembrei que
naquela noite eu teria um encontro, aquela raiva do fim de semana já havia diminuído,
estava triste e sem nenhuma vontade de ver ninguém, mas como já havia marcado
com ele não poderia voltar atrás e eu também precisava dele naquele momento, do
que ele me fazia sentir e do que me fazia esquecer. Preparei um macarrão assado
com arroz, legumes e um feijão com bacon, era um jantar simples porem saboroso,
desta vez e pela primeira vez ele iria conhecer a minha casa e experimentar
mais uma vez a minha comida já que em uma das ocasiões preparei panquecas e
levei para jantarmos em sua casa. Ele estava na faculdade e mataria o último horário
para chegar mais cedo em casa, quando o telefone tocou era por volta das 22h30min,
ele me ligou para que eu saísse na rua e assim localizar a minha casa, acenei
com a mão quando vi uma moto se aproximar, ele estava com a mesma roupa de
quando nos conhecemos e lindo como sempre. Logo que guardou a moto no corredor
de casa ele me deu um beijo roubado e um tapa no meu bumbum que me fez saltar
do lugar, pois nunca havia feito tal coisa antes, foi inédito aquela postura da
parte dele. Era notável que o desejo nele era maior do que o que estava em mim,
pois estava com ele naquele momento como uma forma de vingar de mim mesma pela
estupidez de ter acreditado que talvez pudesse recomeçar uma historia que já
havia terminado muito antes de começar ("amor de roda gigante"). Eu
queria ter as mesmas emoções e entusiasmos de quando ficávamos, mas era
diferente daquela vez... Não tinha mais paixão. Passamos a noite juntos sem
muitas palavras, ele por sua fez me fez cafuné e me deu um beijo carinhoso
enquanto estávamos deitados um do lado do outro, mas eu não senti nada... Estava
mais fria do que um bloco de gelo. Na manhã seguinte o acompanhei até o portão,
pois também estava de saída para o trabalho e esta foi à última imagem que tive
dele, colocando o capacete e buzinando com a moto ao arrancar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário