terça-feira, 27 de junho de 2017

Em meio a tempestade

Começo a observar a vida e ver os caminhos aonde trilhei durante toda a minha vida. 
Talvez eu teria uma família hoje...
Seria alguém na vida...
Estaria realizando sonhos e vivendo cada um deles...
Teria sido uma pessoa diferente, mais segura e amável pelas outras pessoas...
Teria amigas de infância...
Teria inúmeros troféus e medalhas em meu quarto...
Teria um Quarto cor de rosa...
Teria uma prateleira cheia de livros e alguns de minha autoria com versos que antes compunha...
Estaria me formando em medicina ou bombeiro e até mesmo na Aeronáutica...
Teria cães em minha casa...
Teria uma casa... 
Um lar...
Mas a minha história foi escrita com inúmeros capítulos de decepção, medo, tristeza, revolta, mágoas e frustrações... 
Um lar destruído...
Uma infância reprimida...
Agressões físicas e verbais...
Violência doméstica...
Como eu poderia tirar o melhor disso tudo e ser uma pessoa melhor? 
Encontrei a Deus...
Mas o mundo me fez distanciar dEle e mais uma vez outras paginas em minha história foram escritas com os mesmos sentimentos.
Uma série de capítulos intensos...
Mas desta vez parecia ser pior...
O Buraco que antes existia parecia ainda maior e mais fundo, consumindo o meu coração e tragando para dentro de si todas as coisas boas guardas em seu lugar...
Sofri decepções...
Humilhações...
Fui enganada...
Perdi 8 anos da minha vida sendo rebelde e querendo escrever a minha própria historia com tudo isso eu sofri por um relacionamento platônico e humilhante, depois pensei que seria feliz dando a chance para um novo amor e mais uma vez, por seis anos, investi em algo sem futuro... No fundo eu sentia e sabia que não era para mim, mas eu era teimosa. 
Sofri de amores e fiz loucuras para arrancar aquele amor dentro do meu peito...
Mais uma vez Deus me salvou de mim mesma...
Estava grávida...
Confusa, frustrada e com um medo enorme de ser para ela a sombra do meu algoz de minha infância...
Em meu coração havia tanta revolta, tanta tristeza, tanto ódio...
Eu queria explodir...
Subir em um alto monte e gritar tudo que estava sufocando o meu peito colocando para fora tudo de ruim que já havia vivido, sentido e presenciado em minha vida como se um grito fosse uma especie de rolha que permitia que de tudo pudesse sair de dentro de mim...
Chorava por toda a gravidez me sentindo sozinha e abandonada... 
Ter em meu ventre uma criança renegada pelo pai...
Uma criança que mesmo antes de nascer já estava condenada a uma vida de dores e sofrimentos, físicos e emocionais...
Saber que a cada mês que se passaria eu ainda estaria sozinha com uma criança inocente, renegada e doente.
E no ponto alto de minha vida, meses após o seu nascimento saber que aquele amor paternal ainda lhe era negado. 
Estava ali, diante da tela do celular onde através de uma mensagem havia com as seguintes palavras escritas a seu respeito pelo próprio pai:
_” Não sou pai de sua filha, pode até provar que sou, mas não quero contato nenhum com vocês, nem acompanhar o crescimento...
Meu coração não consegue me ver como pai de sua filha, minha família não será família dela, infelizmente. Mas como eu disse não quero contato direto com você nem com ela, não tenho vontade alguma de ver ou conhecê-la, não quero fotos vídeos ou história, já tenho quem eu amo e que está esperando um filho que amo.”
Te pergunto...
Como você se sentiria?
Aquele mesmo buraco parecia tomar proporções inimagináveis dentro do meu peito.. 
Então surtei...
Foi um grito baixo em cima de uma montanha bem alta, uma fresta daquela rolha havia cedido dentro do meu peito fazendo que um pouco daquela essência pútrida saísse de dentro de mim...
Os vizinhos ouviam os meus gritos, mas de nada poderiam fazer... 
Quando voltei a si estava com minha filha em meus braços, balançando-a num reflexo maternal para que ficasse calma e segura... 
Eu havia perdido de mim mesma, mas uma parte de mim ainda estava lúcida e respondia ao instinto maternal. 
Para mim foi o suficiente... 
Comecei a me ver como o tipo de pessoa em que tornara e que eu não queria ser mais...
Diante daquele poço em que me encontrava, mas ainda lúcida e ciente do que queria para minha vida um outro capítulo se escrevia...
Passara a ser atormentada por sonhos e manifestações paranormais durante a noite em meu quarto, sentindo ser arrastada pela cama...
Acariciando meu corpo...
Como se um peso enorme me impedisse de se mexer, levantar e falar... 
Foi então que passei a dormir com todas as luzes acesas assim eu teria paz como ainda estou tenho, porém as noites parecem dia e meu corpo a cada dia sente, pois não durmo direito adoecendo com frequência.
Tento a cada dia dar o melhor que posso para minha filha, nunca deixando lhe faltar nada mesmo que me custe uma alimentação, vestimenta ou calçado para meu proveito e uso... Até mesmo um aluguel. 
Somente Deus sabe o que eu estou passando e sentindo, o que sinto ao entrar naquela casa de três cômodos, entrar pelo quarto e colocar a minha filha adormecida na cama, sentar-se ao seu lado e passar horas olhando para ela, acariciando o seu cabelo e a pele rosada de suas bochechas e em oração pedindo a Deus em silêncio forças para cuidar dela, refrigério nas minhas tribulações e um vislumbre de que tudo que estou passando eu ainda terei a minha vitória, que serei feliz e farei da minha filha um ser humano maravilhoso, alguém melhor do que eu jamais poderia ser um dia.
É com este restinho de força e fé, com este amor que tenho por Deus que vivo debaixo da sua misericórdia a cada dia não me deixando perecer e um dia... Para Honra e Glória de Deus eu verei um milagre... a cura da minha filha!

Minha maior alegria...

Meu grande amor...
Minha polothieza...
Se para tê-la eu teria que passar por tudo isto, eu passaria mil vezes.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Presente de Deus - Fases Lunares

11 de Abril de 2016

Tudo começou com uma indisposição após um jantar, seguidos de dois finais de semana com um enjoo que aumentava a cada dia, e uma dor na boca do estômago. Minha mãe suspeitava daquele mal estar, alertando de uma possível gravidez, mas me recusava a acreditar que poderia ser, pois estava protegida e a efeito da medicação estava dentro do prazo para um possível atraso. Aquela sensação suspeita começou a me deixar curiosa, muito mais que o normal. Decidida a tirar aquela dúvida fui até uma farmácia no horário do meu almoço e comprei um teste. Estava no banheiro do escritório, preparei para que o teste fosse feito sem margem de erro.
 Foi então que aconteceu...  Estava em pé diante de um resultado que iria mudar a minha vida diante daquele recipiente mergulhando o medidor, aguardando a confirmação de que daquele dia em dia tudo iria mudar, todas as coisas seriam vistas de forma diferente e que todos os meus atos e ações iriam ser repensadas para que o mundo não girasse contra a quem estava ali dentro de mim, ainda tão pequena quanto um grão de arroz. O resultado foi imediato... Estou grávida!
Naquele momento não houve reação, estava calma e tranquila como nunca pensei que ficaria diante de um resultado tão sério e que iria mudar toda a minha vida. Respirei fundo e então percebi que estava recebendo o melhor presente da minha vida, que ela seria muito mais do que sonhei para mim e até mesmo do que nunca sonhei em ser. Pensei que iria surtar ou cair em lágrimas ali mesmo, mas estava tão segura de mim que pensei logo em contar para minha mãe a quem sempre me cobrava de uma forma brincalhona que deseja ser avó entre outros da família com aquela típica piadinha, “ estava ficando velha, não vai dar uma netinha para sua mãe?”. Mas não me importava com estas “frases” e pensava em outros planos para minha vida, mas sempre fui uma covarde para meus sonhos e muita das vezes deixara pela metade o que planeja com medo do fracasso e da decepção.
Resolvi mandar uma mensagem para minha mãe com a foto do resultado dizendo: _Não enfarte mãe!
Ela respondeu de forma feliz e preocupada com a situação, orientando a buscar um médico para um resultado mais absoluto e também o tempo de gestação. Conversamos um pouco sobre possibilidades e futuro, sempre com cautela e orientação devida do médico para uma gestação saudável. Daquele dia em diante minha barriga parecia ter aumentando de uma forma tão repentina que o que não aparecia se revelou. Uma barriga arredondada e saliente de forma que as pessoas já reconheciam em mim a dádiva de ser uma futura mamãe.


12 de Abril de 2016

Acordei pela manhã para fazer o exame de endovaginal e sangue assim constatar a gravidez, estava ansiosa, sem medo. Liguei para minha mãe e comuniquei que estava a caminho e se ela poderia me acompanhar, mas era impossível naquele dia, ela estava cuidando de minha Irmã com pouco mais de 1 ano e não teria como deixa-la na creche neste dia. Decidi ir sozinha e viver este momento somente Deus e eu...
Estava na sala de espera do Hospital Vila da Serra, havia algumas mães também aguardando para realizar o exame e então comecei a olha-las e ver em mim traços maternos, imaginar a minha barriga como a delas e também o glorioso e dolorido momento do parto. A moça que auxiliava a médica chamou pelo meu nome isto fez o meu coração saltar e para na boca do estômago, senti as veias pulsarem em meu rosto como o bater de um coração, respirei fundo e entrei. A médica pediu que tirasse a minha parte de baixo e deitasse sobre a maca, deite-me e ela me fez algumas perguntas como: A última menstruação, o que estava sentindo, se eu tinha algum problema de saúde, se eu fazia a prevenção. Repassadas todas as informações contei-lhe que há alguns meses através de um exame também de endovaginal fora constato um cisto no lado esquerdo na minha trompa. A médica logo o detectou e posteriormente apareceu uma bolinha branca diferente, meio em formado de gota e então a médica colocou o som para que eu escutasse... Como um bater de asas de um beija-flor era assim o seu coração, ele pulsava tão intensamente, tão forte. A emoção veio aos meus olhos e eu tive uma sensação de que um peso enorme desaparecia de dentro de mim... Eu me ternei mãe!
Não via a hora de sair da sala de exame e contar logo para a minha mãe e para as pessoas que estimava. Era uma nova fase da minha vida e ao sair da porta do Hospital parecia que o mundo havia se transformado na verdade eu que não seria mais a mesma... seria melhor! 

Endovaginal
Medidas: 24,7 mm
Coração: 182 bpm

Gestação
DUM: 8 semanas e 5 dias
Tópica: 9 semanas e 3 dias

13 de Abril de 2016

Após fazer o teste e constatar a gravidez no meu coração batia uma dúvida, conto ou não conto para o ele ("Destino")? Afinal, nada mudaria entre nós, mas mudaria a nossa vida individualmente. Havia algumas semanas que não conversávamos mais por conta de uma implicância sem motivo com ele... Creio que já era um sintoma hormonal da gravidez. Passei toda a manhã no serviço com este pensamento me perturbando, então decidi pegar o telefone e escrever uma mensagem para ele, queria marcar um dia para conversaremos e assim contar a notícia. Comecei a conversar com um “oi, Tudo bem com você”? Perguntei de forma irônica se ele se lembrava de mim, a fim de puxar uma conversa mais descontraída para um assunto muito sério que viria logo após, não queria falar de cara e enfartar o pai da minha filha. Coincidentemente havia uma chamada perdida do Whats app registrada no meu celular, aproveitei e perguntei com quem não quer nada se ele havia me ligado, ele disse que nem viu foi então que resolvi fazer a primeira pergunta:
_“ Preciso conversar com você pessoalmente na semana que vem, pode ser?
Ele disse: _Não esta grávida não né?
Eu respondi com risos e logo após ele mandou pontos de exclamações para que respondesse a sua pergunta de forma direta e assim o fiz:
_Sim!
Ele logo ficou nervoso, questionando que não poderia ser, pois eu havia lhe dito que tomei a pílula do dia seguinte, e assim fiz, pois não estava nos meus planos engravidar e muito menos dele, pois não tínhamos nada sério somente ficamos por alguns meses e em certo ponto da nossa relação, como ordem natural das coisa, eu comecei a sentir algo por ele, mas ele não correspondia. Para que eu não sofresse decidi parar encerrar a minha história com ele
Entre poucas palavras ele disse a seguinte frase: ___você quer tê-lo? Acho melhor tirar, não quero ter filho... Não agora. Voto em tirar, damos um jeito de pagar.
Aquelas palavras me trouxeram náuseas, me revirou o estômago em ver como ele era frio mesmo tendo mandado para ele o áudio do seu coraçãozinho batendo.
Ele por diversas vezes indagou que o filho não era dele e sim do meu ex-namorado a quem já havia terminado há mais de três meses e que mal tinha relações com ele por justamente estar confusa a tudo que sentia. Então ele teve a brilhante ideia de sugerir a seguinte coisa: __... “se você estivesse pelo menos namorando, poderia ter outro pai, não posso ter isso agora”.
Neste momento tive a certeza de que ele era um babaca, que todo seu estudo e as filosofias que indagava seguir, e viver não fazia jus a sua atitude naquele momento.
A suas últimas palavras foram: __ “Tem noção da loucura que é ter esse filho assim”?

Eu disse: __ “Muito mais do que imagina”.

"Destino"

Estava passando por um dos piores anos de minha vida...

           Alguns meses se passaram após o término de uma longa relação de pouco mais de 5 anos que me despedaçou completamente, estava extremamente magoada, ferida e de certa forma não me reconhecia mais diante do espelho, mal conseguia me encarar e analisar a sombra da pessoa em que havia me tornado. Não a pessoa que sempre fui, mas aquela que jamais gostaria de ter me tornado. Passei por meses de revolta, tentando de certa forma matar tudo aquilo que estava sentindo, queria esquecer, afogar aquele sentimento em outras recordações que não fossem mais aquelas. Em uma destas minhas revoltas conheci um rapaz através de um aplicativo de encontros, conversamos sobre quem éramos e o que fazíamos de nossas vidas, sobre o cotidiano e nossas metas de vida (mal sabia que meu mundo iria mudar completamente) então décimos nos encontrar pessoalmente na sexta-feira às 20hs daquela semana.
         Marcamos o encontro em um shopping próximo de nossas casas, que por coincidência, ele também morava perto. Havia acabado de chegar do trabalho e estava um pouco cansada, mas decidida a me aventurar mais uma vez (vai que desta vez tudo daria certo). Com uma ideia formada de que meu corpo não deveria chamar mais a atenção do que o meu interior, decidi ir o mais simples possível. Coloquei um jeans escuro, uma blusa de manga média floral que estava com um furo remendado há poucos minutos antes de sair e uma sandália baixa, pois normalmente eu era mais alta que todas as pessoas da região (sendo dramática). A distância da minha casa até o local de encontro era pouco mais de 15 minutos e por sorte no exato momento em que cheguei o ônibus da linha 6350 estava passando em direção ao shopping. Como o trânsito estava menos intenso naquele horário em poucos minutos consegui chegar até o local combinado, que seria na praça de alimentação do Shopping. Cheguei alguns minutos antes no local combinado para o encontro. Decidi pedir um hambúrguer, pois a fome estava fazendo roncar o estômago, o que não seria nada sexy em um encontro, estava tentando passar o máximo de confiança possível comendo aquele hambúrguer, o que não era nada sexy quando uma gota de Ketchup caiu no meu colo, estabanada como sempre. Além de vestida como mulamba ainda teria um toque especial de Ketchup, o que ele iria pensar... Porca no mínimo, mas não estava nem aí, o que mais eu poderia perder sendo que já tinha perdido tudo. Estrategicamente avistei uma bancada alta no centro da praça de alimentação que estava com vários lugares disponíveis, neste lugar seria mais fácil de visualizá-lo ao chegar (uma rota de fuga caso se parecesse como um maluco ou maníaco). Minutos depois ele chegou com um capacete em uma de suas mãos. Ele estava vestido com uma bermuda cinza clara e uma camisa gola polo na cor mostarda, seu semblante parecia como de quem estava afoito e perdido, mas que enfim teria chegado ao seu destino. Seus cabelos eram negros, seus lábios eram carnudos e delineados, os olhos de um profundo castanho, suas sobrancelhas e barba de fios grossos e negros revelando uma beleza bruta e atraente (tirando a voz, porque quando abriu a boca não era nada atraente). Ele se apresentou e sugeriu algo para comer, logo respondi que já estava satisfeita, pois acabara de comer um sanduíche, ele retrucou dizendo: _ Nossa nem me esperou para comer, fominha! E sorriu.
Era um sorriso espetacular. Na hora me derreti, mas me mantive acordada e com os pés no chão. Sentimental do jeito que era e vulnerável pelo momento em que estava vivendo não poderia deixar que meu coração se bandeasse outra vez sem permissão. Não poderia me dar ao luxo de se apaixonar...
Tentei afastar qualquer sentimento com um "peteleco imaginário” e quando voltei à realidade resolvi responde-lo:
_Acho que cabe mais um hambúrguer aqui dentro.
Ele disse: _ Você é magra de ruim, não é? E sorriu novamente.
Foram alguns minutos de poucas palavras e troca de olhares entre as mordidas de hambúrguer até que ele teve a brilhante ideia de perguntar a minha altura e pedir para comparar a nossa altura medindo um ao lado do outro. Antes que pudesse descer do degrau do banco ele me puxou para perto de si e me deu um beijo firme e macio, naquele momento todo ar que tinha dos meus pulmões saíram por entre os nossos lábios se tornando em um suspiro erótico, era a faísca no estopim que faltava para incendiar aquele beijo. Estava atraída por ele e pelo prazer de um beijo que há muito tempo não sentia, era um desejo arrebatador e palpável. Ele sentiu o mesmo, me soltando e olhando dentro dos meus olhos de forma tão profunda. Tentei sentar no banco sem demonstrar que estava com as pernas bambas e um pouco tonta. Após mais um tempo de conversa decidir ir embora, pois já passava das 22hs e o local do ônibus era perigoso. Ele se ofereceu para me acompanhar até o ponto de ônibus, mas preferi que somente até a porta do shopping já seria o suficiente e gentil da parte dele. Assim que saímos pela porta do shopping, na intenção de despedir-se ele me deu outro beijo, desta vez mais ardente e intimo segurando-me pelos cabelos em minha nuca e um de seus braços envolto em minha cintura. Ele olhou com aqueles olhos castanhos e profundos dentro dos meus olhos e pediu para ficar. Ele ainda estava com os lábios encostados nos meus quando me fez o pedido em forma de súplica. Não poderia recusar ao um pedido daqueles, estava atraída por aqueles lábios e o que me faziam sentir. Para que não ficássemos expostos e pudesse constranger as pessoas que entravam sugeri que ficássemos por alguns minutos apenas em um abrigo de ônibus próximo a saída do shopping seria o suficiente, e realmente foi o suficiente para que ele me puxasse de forma brusca para junto do seu corpo e me desse mais um beijo, eu podia sentir a intensidade de sua vontade ao me beijar, aquele sentimento era mais do que tudo carnal. Eu não conseguia ir embora, queria aquele beijo mais que tudo, pois de alguma forma eu esquecia toda a dor e mágoa que estava sentindo naquele momento... Era meu remédio para dor. Passei o fim de semana pensando naquele beijo e a forma como me olhava, não imaginava que ele me ligaria outra vez e antes mesmo de pensar em mandar uma mensagem eu recebi uma sua me dizendo que queria outro encontro.
             O segundo encontro foi decisivo. Decidimos que esperar o momento certo para acalmar o desejo era fora de questão, teria que ser naquela noite...
Era um sentimento estranho...
Uma noite intensa e estranha, mas de certa forma me fazia esquecer como se fosse uma droga e eu sentia que precisava dele para fechar aquela ferida ou até mesmo esquecê-la mesmo que fosse por algumas horas. Passamos a nos ver todos os finais de semana, ele havia me convidado para dormir com ele em sua casa nos finais de semana, mas naquela época minha irmã tinha um pouco mais de 1 ano e a visitava quase todo fim de semana. Como combinado eu dormiria de sexta para sábado e na manhã seguinte ele me levava até o ponto de ônibus. Em certas ocasiões a necessidade de ficarmos juntos era tão grande que durante a semana ele me mandava mensagem querendo me ver. Às vezes ele me buscava perto de casa ao sair da faculdade e outrora me buscava na avenida principal perto de sua casa para que pudéssemos dormir juntos. Adormecia ao seu lado e pela manhã bem cedo levantava na ponta dos pés para tomar um banho e me arrumar para ir ao trabalho, quando estava para sair o acordava com um beijo dizendo que já iria e o deixava dormindo ali no colchão estendido no chão do quarto aonde dormíamos de forma mais confortável e silenciosa.
         Em uma noite enquanto adormecíamos sobre o colchão estendido no chão de seu quarto percebi que ele estava me olhando enquanto adormecia e em um gesto raro ele afagou os meus cabelos, decidi abrir meus olhos e perguntar se estava tudo bem, pois em uma de nossas conversas ele disse que por conta de um passado ele nunca mais conseguiu ser carinhoso, era como uma barreira para ele e isto seria impossível entre nós, compreendi, pois até aquele momento não alimentava nenhum sentimento por ele que não fosse carnal, ele era minha espécie de cura momentânea. Daquela noite em diante ele ficou estranho, meio arredio, mas nunca me fez qualquer indelicadeza, sempre me tratava com total respeito e atenção, me trazendo lanches na cama e colocando filmes de desenho para que víssemos abraçados enquanto tentávamos adormecer, pois ele sabia que eu adorava desenhos. Após um momento lúdico começamos a debater ideias, entre uma delas religiosa. Eu me sentia a vontade com ele, em ter estas conversas sem ser recriminada e a melhor parte era que ele me observava com atenção a cada palavra que dizia sem me interromper como se estivesse aprendendo algo, absorvendo as palavras que dizia e assim que terminava ele debatia comigo de forma a compreender o que tinha lhe falado, mas colocava a sua opinião de forma que não me ofendesse e sim de uma forma que nossas ideias se unissem, era maravilhoso conversar com ele. Um homem inteligente e culto de gosto musical clássico; o que de certa forma me irritava quando ele queria dormir ouvindo Mozart... Queria dormir com o silêncio e não com Mozart. Tudo o que estava vivendo com ele durante aqueles três meses me fez começar a sentir algo por ele, eu não sabia definir bem ao certo o que era, mas já estava me incomodando, até que em uma noite decidir terminar (não era um compromisso sério, mas estava ficando somente com ele por todo aquele tempo), expliquei que já era tempo de seguir em frente e que eu queria um relacionamento sério, queria amar alguém outra vez e que a nossa relação me impedia disso já que em uma de nossas conversas ele deixou bem claro que não tinha intenção de namorar, pois estava muito magoado assim como eu e juntos concordamos em levar aquilo não como um compromisso, mas uma forma de esquecermos o passado. Confesso que na hora meu olho cismou em descer uma lagrima, ergui bem às minhas pálpebras para que aquela lágrima secasse e não pudesse rolar do meu rosto demonstrando fraqueza. Em nenhum momento ele questionou, nem ao menos se quer olhou em meus olhos, assentiu com a cabeça em um gesto positivo, virou o rosto para o lado e dormiu sem ao menos me dizer uma palavra se quer, dormimos cada um para o seu lado naquela noite. Ao me despedir dele pela manhã lhe dei um beijo na bochecha e lhe disse:_ Adeus!
Ele disse: Você é quem quer!
Fui embora para minha casa e tentei ainda segurar aquela lágrima que insistia em aparecer até que deixei cair uma única gota e disse para mim mesma: _Ame a si mesmo primeiramente! Chega!

Janeiro de 2016

           Havia se passado um desde que terminei meu relacionamento de aproximadamente 6 ano, eu o amava ainda mas no fundo eu sabia que não era mais possível reatar o nosso namoro. Eu havia quebrado o seu coração em tantas partes quanto ele havia despedaçado o meu.
           Naquela época encontrei um rapaz de quem pude ter todo carinho e atenção, mas com o passar dos dias estava ficando difícil segurar a mágoa do passado e com isso estava machucando ele, descontando toda a minha frustração em uma pessoa inocente. Confesso que por um momento eu via nele a chance de ser feliz, mas a minha mente sempre sabotava meu coração. Em uma noite resolvi ficar sozinha em casa no fim de semana para descansar, não queria ver meu namorado e nem tão pouco ouvir a frase “Eu te amo” que ele me dizia todas as vezes que me fazia um carinho. Sabia que estava sendo egoísta e cruel com ele, mas o som daquela frase me trazia náuseas e revolta, pois ouvia mais “Eu te amo” em 5 meses que estava com ele do que o meu ex-namorado de 6 anos, isso me revoltava. Tinha noites em que o toque dele e seu carinho me irritavam, me trazia tremores pelo corpo como se estive sendo cortada por dentro. Sempre fui sincera aos meus sentimentos por ele lhe respondendo o quanto o adorava e ele era especial. Naquela mesma noite ele, a quem resolvi dizer a Adeus para encontrar um novo amor, resolveu aparecer e bagunçar ainda mais a minha cabeça perguntando como eu estava e também queria saber sobre o meu atual relacionamento, o tom de sua voz era como se contasse vantagem pelo o que ele me fazia sentir quando estávamos juntos e que talvez o meu atual não correspondesse as minhas expectativas, era muita prepotência dele, mas de certa forma ele estava correto, trazendo todas aquelas sensações e estímulos para meu corpo, já estava me perdendo em recordações e sensações quando tornei a realidade e resolvi afastar os pensamentos com um "peteleco" imaginário. Pouco tempo depois ele resolveu dizer que ao ver a foto do meu atual namorado comigo sentiu uma pontada de ciúmes e que talvez ele estivesse cometido um erro ao me deixar ir, disse que tinha medo por conta de seu passado. Por um momento ele parou como se estivesse se repreendendo e voltando a si por ter falado demais. Fiquei balançada com a suas palavras, mas nada que me fizesse ser infiel ao meu atual namorado, pois já estava craque em tipo de homens como meu ex, aquele tipo que fazem de tudo para conquistar o que deseja e após uma semana de ter conseguido o que queriam eles voltam a serem "Eles mesmos". Quando percebi que a conversa estava indo para outro rumo tentei Desconversar e dar uma desculpa dizendo que tinha um compromisso, encerrando por ali aquela conversa estranha. Após desligar o telefone mais uma vez a nostalgia veio ao meu coração e como um imã de coisas inusitadas eu recebi uma mensagem de vídeo como uma musica do cantor Lucas Lucco, sobre relacionamentos do então ex-namorado. Na hora fiquei congelada, pois não sabia o que fazer, então resolvi mandar somente uma mensagem elogiando a música e ele logo respondeu me dizendo que, assim que ele ouviu essa musica e viu a letra logo pensou em nós mas que estava confuso.... Foi um "salto com piruetas duplas" que o meu coração deu ao ler aquelas palavras. Estava com tanto medo de digitar, com tanto medo de acreditar que mesmo depois de um ano separados e tendo aquela nossa última conversa em forma de um desabafo engasgado por quase 6 longos anos de muitas decepções e mágoas ao qual despedacei o seu coração e mesmo assim naquela altura da nossa história ele ainda era capaz de sentir algo por mim que não fosse somente carnal... Mas estava enganada!
Passados os dias eu já não conseguia manter o namoro com meu atual, principalmente depois daquela musica em forma de declaração. Estava confusa e queria me arriscar, entrar mais uma vez naquela “roda gigante” que era o nosso amor, assim intitulado na nossa história em uma de suas cartas ao qual fez para mim no dia dos namorados. Na tarde de quinta-feira resolvi mandar uma mensagem para meu namorado dizendo que não iria para a cidade de Pirapora com a sua família, esclarecendo meu real motivo e medo de estrada e que a insegurança de estar no carro com seu pai dirigindo era muito grande, pois costumava ingerir bebida e no mesmo dia viajar de volta. Acho que ele já sentia que terminaria com ele, o tom de sua voz ao telefone quando lhe contei que não iria era de desapontamento, ele estava empolgado para me apresentar a toda a sua família e ter um final de semana romântico comigo conhecendo a fazenda de sua tia. Não queria magoa-la, mas a insistência era tão grande que resolvi dizer que precisava de um tempo para mim e que no momento que ele retornasse para Belo Horizonte iríamos conversar. Percebi pelo tom de sua voz um choro engasgado, como se o seu coração parasse em sua garganta, então ele me disse:
_ Se você quer terminar comigo não precisa me ver, eu não aguentaria... Você sabe que eu amo você!
Aquelas palavras enviadas era como duas facas em meu coração, uma por ter lhe dado esperança e outra por ser uma covarde e aceitar a sua proposta sem ao menos ter a decência de ir até a sua casa e conversar a respeito. Eu estava farta de dar explicações em minha vida, sabia que o que estava fazendo era cruel, mas seria muito pior se tivesse passado o fim de semana com ele e no dia seguinte terminasse a nossa história... Na verdade eu nunca deviria ter aceitado o pedido de namoro. Eu era uma pessoa "cheia de remendos e mágoas", não queria ser uma história ruim na sua vida, mas infelizmente eu fui e me arrependo muito disso, pois ele é uma pessoa maravilhosa e qualquer garota faria de tudo para ter uma pessoa como ele, mas o coração é terra sem lei aonde ninguém manda.
Após o termino do namoro, resolvi procura meu ex por quem ainda sentia amor com o pretexto de lhe entregar algumas cartas que ficara em uma caixa que lhe dei de presente e após o nosso termino ele me devolveu em uma tentativa de se reaproximar, mas eu não o quis, pois sabia que era "dor de cotovelo".
     
           Chegando à sua casa optei por não descer e lhe entregar as cartas no portão, conversamos um pouco e então percebi uma brecha ao qual me fez ter a coragem de lhe pedir um beijo (como quem não quer nada) e ele aceitou. Sugerir para que fossemos até a garagem de sua casa afim de que os vizinhos não nos vissem e comentasse pelo bairro uma possível volta (como se eu não quisesse isso na verdade), mas estava tentando transparecer maturidade e que tinha superado nossa história, aquele beijo seria somente um "Flash Back" e nada mais.
Tudo não passou de uma ilusão. Quando toquei os meus lábios no seu senti que era vazio, frio e sem sentimento... Era estranho beija-lo, mesmo com os anos eu não reconhecia mais aqueles lábios e o que eles me faziam sentir quando os tocava. Mais uma vez cometi um grande erro e envolvida pelo prazer que ele estava sentindo decidi “matar a saudade”... Foi neste momento lúdico que percebi que tudo que ele sentia ou sentiu foi somente carnal e que todas as suas atitudes durante aqueles anos foram somente pelo desejo da carne e o que eu proporcionava a ele. Senti-me imunda como se toda a sujeira do mundo escorresse pelo meu corpo, senti nojo de mim mesma e por ser tão burra de mais uma vez acreditar que seria possível. Em uma simples frase ele quebrou os cacos que ainda sobraram de pé dentro do meu coração dizendo: _ Que saudade da sua boca! Mas infelizmente ela não estava em seus lábios quando disse. Lembro-me de chegar em casa e chorar todas as lágrimas possíveis para o resto do ano (seria hipócrita e dramática se dissesse pelo resto da vida, pois a vida ainda me traria muito outros momentos de lágrimas, seja de dor ou de emoção).
           Após alguns dias resolvi mandar uma mensagem para ”aquele” que poderia curar esta dor, o único que me faria esquecer mesmo que fosse por algumas horas...
Estava com raiva de mim mesma, magoada mais uma vez e decepcionada, Eu queria descontar a minha raiva, esquecer aquele dia fatídico... Aquela maldita frase!
Assim que enviei a mensagem ele logo respondeu, no fundo ele já sabia que estava solteira, no mínimo desconfiava e sem hesitar aceitou a minha proposta de nos encontramos. A vontade de extravazar toda aquela raiva era tão grande que sugeri par ao dia seguinte, mas ele já tinha um compromisso e marcou para a terça-feira da semana seguinte.

23 de fevereiro 2016


Assim que me levantei lembrei que naquela noite eu teria um encontro, aquela raiva do fim de semana já havia diminuído, estava triste e sem nenhuma vontade de ver ninguém, mas como já havia marcado com ele não poderia voltar atrás e eu também precisava dele naquele momento, do que ele me fazia sentir e do que me fazia esquecer. Preparei um macarrão assado com arroz, legumes e um feijão com bacon, era um jantar simples porem saboroso, desta vez e pela primeira vez ele iria conhecer a minha casa e experimentar mais uma vez a minha comida já que em uma das ocasiões preparei panquecas e levei para jantarmos em sua casa. Ele estava na faculdade e mataria o último horário para chegar mais cedo em casa, quando o telefone tocou era por volta das 22h30min, ele me ligou para que eu saísse na rua e assim localizar a minha casa, acenei com a mão quando vi uma moto se aproximar, ele estava com a mesma roupa de quando nos conhecemos e lindo como sempre. Logo que guardou a moto no corredor de casa ele me deu um beijo roubado e um tapa no meu bumbum que me fez saltar do lugar, pois nunca havia feito tal coisa antes, foi inédito aquela postura da parte dele. Era notável que o desejo nele era maior do que o que estava em mim, pois estava com ele naquele momento como uma forma de vingar de mim mesma pela estupidez de ter acreditado que talvez pudesse recomeçar uma historia que já havia terminado muito antes de começar ("amor de roda gigante"). Eu queria ter as mesmas emoções e entusiasmos de quando ficávamos, mas era diferente daquela vez... Não tinha mais paixão. Passamos a noite juntos sem muitas palavras, ele por sua fez me fez cafuné e me deu um beijo carinhoso enquanto estávamos deitados um do lado do outro, mas eu não senti nada... Estava mais fria do que um bloco de gelo. Na manhã seguinte o acompanhei até o portão, pois também estava de saída para o trabalho e esta foi à última imagem que tive dele, colocando o capacete e buzinando com a moto ao arrancar.