terça-feira, 27 de junho de 2017

Em meio a tempestade

Começo a observar a vida e ver os caminhos aonde trilhei durante toda a minha vida. 
Talvez eu teria uma família hoje...
Seria alguém na vida...
Estaria realizando sonhos e vivendo cada um deles...
Teria sido uma pessoa diferente, mais segura e amável pelas outras pessoas...
Teria amigas de infância...
Teria inúmeros troféus e medalhas em meu quarto...
Teria um Quarto cor de rosa...
Teria uma prateleira cheia de livros e alguns de minha autoria com versos que antes compunha...
Estaria me formando em medicina ou bombeiro e até mesmo na Aeronáutica...
Teria cães em minha casa...
Teria uma casa... 
Um lar...
Mas a minha história foi escrita com inúmeros capítulos de decepção, medo, tristeza, revolta, mágoas e frustrações... 
Um lar destruído...
Uma infância reprimida...
Agressões físicas e verbais...
Violência doméstica...
Como eu poderia tirar o melhor disso tudo e ser uma pessoa melhor? 
Encontrei a Deus...
Mas o mundo me fez distanciar dEle e mais uma vez outras paginas em minha história foram escritas com os mesmos sentimentos.
Uma série de capítulos intensos...
Mas desta vez parecia ser pior...
O Buraco que antes existia parecia ainda maior e mais fundo, consumindo o meu coração e tragando para dentro de si todas as coisas boas guardas em seu lugar...
Sofri decepções...
Humilhações...
Fui enganada...
Perdi 8 anos da minha vida sendo rebelde e querendo escrever a minha própria historia com tudo isso eu sofri por um relacionamento platônico e humilhante, depois pensei que seria feliz dando a chance para um novo amor e mais uma vez, por seis anos, investi em algo sem futuro... No fundo eu sentia e sabia que não era para mim, mas eu era teimosa. 
Sofri de amores e fiz loucuras para arrancar aquele amor dentro do meu peito...
Mais uma vez Deus me salvou de mim mesma...
Estava grávida...
Confusa, frustrada e com um medo enorme de ser para ela a sombra do meu algoz de minha infância...
Em meu coração havia tanta revolta, tanta tristeza, tanto ódio...
Eu queria explodir...
Subir em um alto monte e gritar tudo que estava sufocando o meu peito colocando para fora tudo de ruim que já havia vivido, sentido e presenciado em minha vida como se um grito fosse uma especie de rolha que permitia que de tudo pudesse sair de dentro de mim...
Chorava por toda a gravidez me sentindo sozinha e abandonada... 
Ter em meu ventre uma criança renegada pelo pai...
Uma criança que mesmo antes de nascer já estava condenada a uma vida de dores e sofrimentos, físicos e emocionais...
Saber que a cada mês que se passaria eu ainda estaria sozinha com uma criança inocente, renegada e doente.
E no ponto alto de minha vida, meses após o seu nascimento saber que aquele amor paternal ainda lhe era negado. 
Estava ali, diante da tela do celular onde através de uma mensagem havia com as seguintes palavras escritas a seu respeito pelo próprio pai:
_” Não sou pai de sua filha, pode até provar que sou, mas não quero contato nenhum com vocês, nem acompanhar o crescimento...
Meu coração não consegue me ver como pai de sua filha, minha família não será família dela, infelizmente. Mas como eu disse não quero contato direto com você nem com ela, não tenho vontade alguma de ver ou conhecê-la, não quero fotos vídeos ou história, já tenho quem eu amo e que está esperando um filho que amo.”
Te pergunto...
Como você se sentiria?
Aquele mesmo buraco parecia tomar proporções inimagináveis dentro do meu peito.. 
Então surtei...
Foi um grito baixo em cima de uma montanha bem alta, uma fresta daquela rolha havia cedido dentro do meu peito fazendo que um pouco daquela essência pútrida saísse de dentro de mim...
Os vizinhos ouviam os meus gritos, mas de nada poderiam fazer... 
Quando voltei a si estava com minha filha em meus braços, balançando-a num reflexo maternal para que ficasse calma e segura... 
Eu havia perdido de mim mesma, mas uma parte de mim ainda estava lúcida e respondia ao instinto maternal. 
Para mim foi o suficiente... 
Comecei a me ver como o tipo de pessoa em que tornara e que eu não queria ser mais...
Diante daquele poço em que me encontrava, mas ainda lúcida e ciente do que queria para minha vida um outro capítulo se escrevia...
Passara a ser atormentada por sonhos e manifestações paranormais durante a noite em meu quarto, sentindo ser arrastada pela cama...
Acariciando meu corpo...
Como se um peso enorme me impedisse de se mexer, levantar e falar... 
Foi então que passei a dormir com todas as luzes acesas assim eu teria paz como ainda estou tenho, porém as noites parecem dia e meu corpo a cada dia sente, pois não durmo direito adoecendo com frequência.
Tento a cada dia dar o melhor que posso para minha filha, nunca deixando lhe faltar nada mesmo que me custe uma alimentação, vestimenta ou calçado para meu proveito e uso... Até mesmo um aluguel. 
Somente Deus sabe o que eu estou passando e sentindo, o que sinto ao entrar naquela casa de três cômodos, entrar pelo quarto e colocar a minha filha adormecida na cama, sentar-se ao seu lado e passar horas olhando para ela, acariciando o seu cabelo e a pele rosada de suas bochechas e em oração pedindo a Deus em silêncio forças para cuidar dela, refrigério nas minhas tribulações e um vislumbre de que tudo que estou passando eu ainda terei a minha vitória, que serei feliz e farei da minha filha um ser humano maravilhoso, alguém melhor do que eu jamais poderia ser um dia.
É com este restinho de força e fé, com este amor que tenho por Deus que vivo debaixo da sua misericórdia a cada dia não me deixando perecer e um dia... Para Honra e Glória de Deus eu verei um milagre... a cura da minha filha!

Minha maior alegria...

Meu grande amor...
Minha polothieza...
Se para tê-la eu teria que passar por tudo isto, eu passaria mil vezes.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Presente de Deus - Fases Lunares

11 de Abril de 2016

Tudo começou com uma indisposição após um jantar, seguidos de dois finais de semana com um enjoo que aumentava a cada dia, e uma dor na boca do estômago. Minha mãe suspeitava daquele mal estar, alertando de uma possível gravidez, mas me recusava a acreditar que poderia ser, pois estava protegida e a efeito da medicação estava dentro do prazo para um possível atraso. Aquela sensação suspeita começou a me deixar curiosa, muito mais que o normal. Decidida a tirar aquela dúvida fui até uma farmácia no horário do meu almoço e comprei um teste. Estava no banheiro do escritório, preparei para que o teste fosse feito sem margem de erro.
 Foi então que aconteceu...  Estava em pé diante de um resultado que iria mudar a minha vida diante daquele recipiente mergulhando o medidor, aguardando a confirmação de que daquele dia em dia tudo iria mudar, todas as coisas seriam vistas de forma diferente e que todos os meus atos e ações iriam ser repensadas para que o mundo não girasse contra a quem estava ali dentro de mim, ainda tão pequena quanto um grão de arroz. O resultado foi imediato... Estou grávida!
Naquele momento não houve reação, estava calma e tranquila como nunca pensei que ficaria diante de um resultado tão sério e que iria mudar toda a minha vida. Respirei fundo e então percebi que estava recebendo o melhor presente da minha vida, que ela seria muito mais do que sonhei para mim e até mesmo do que nunca sonhei em ser. Pensei que iria surtar ou cair em lágrimas ali mesmo, mas estava tão segura de mim que pensei logo em contar para minha mãe a quem sempre me cobrava de uma forma brincalhona que deseja ser avó entre outros da família com aquela típica piadinha, “ estava ficando velha, não vai dar uma netinha para sua mãe?”. Mas não me importava com estas “frases” e pensava em outros planos para minha vida, mas sempre fui uma covarde para meus sonhos e muita das vezes deixara pela metade o que planeja com medo do fracasso e da decepção.
Resolvi mandar uma mensagem para minha mãe com a foto do resultado dizendo: _Não enfarte mãe!
Ela respondeu de forma feliz e preocupada com a situação, orientando a buscar um médico para um resultado mais absoluto e também o tempo de gestação. Conversamos um pouco sobre possibilidades e futuro, sempre com cautela e orientação devida do médico para uma gestação saudável. Daquele dia em diante minha barriga parecia ter aumentando de uma forma tão repentina que o que não aparecia se revelou. Uma barriga arredondada e saliente de forma que as pessoas já reconheciam em mim a dádiva de ser uma futura mamãe.


12 de Abril de 2016

Acordei pela manhã para fazer o exame de endovaginal e sangue assim constatar a gravidez, estava ansiosa, sem medo. Liguei para minha mãe e comuniquei que estava a caminho e se ela poderia me acompanhar, mas era impossível naquele dia, ela estava cuidando de minha Irmã com pouco mais de 1 ano e não teria como deixa-la na creche neste dia. Decidi ir sozinha e viver este momento somente Deus e eu...
Estava na sala de espera do Hospital Vila da Serra, havia algumas mães também aguardando para realizar o exame e então comecei a olha-las e ver em mim traços maternos, imaginar a minha barriga como a delas e também o glorioso e dolorido momento do parto. A moça que auxiliava a médica chamou pelo meu nome isto fez o meu coração saltar e para na boca do estômago, senti as veias pulsarem em meu rosto como o bater de um coração, respirei fundo e entrei. A médica pediu que tirasse a minha parte de baixo e deitasse sobre a maca, deite-me e ela me fez algumas perguntas como: A última menstruação, o que estava sentindo, se eu tinha algum problema de saúde, se eu fazia a prevenção. Repassadas todas as informações contei-lhe que há alguns meses através de um exame também de endovaginal fora constato um cisto no lado esquerdo na minha trompa. A médica logo o detectou e posteriormente apareceu uma bolinha branca diferente, meio em formado de gota e então a médica colocou o som para que eu escutasse... Como um bater de asas de um beija-flor era assim o seu coração, ele pulsava tão intensamente, tão forte. A emoção veio aos meus olhos e eu tive uma sensação de que um peso enorme desaparecia de dentro de mim... Eu me ternei mãe!
Não via a hora de sair da sala de exame e contar logo para a minha mãe e para as pessoas que estimava. Era uma nova fase da minha vida e ao sair da porta do Hospital parecia que o mundo havia se transformado na verdade eu que não seria mais a mesma... seria melhor! 

Endovaginal
Medidas: 24,7 mm
Coração: 182 bpm

Gestação
DUM: 8 semanas e 5 dias
Tópica: 9 semanas e 3 dias

13 de Abril de 2016

Após fazer o teste e constatar a gravidez no meu coração batia uma dúvida, conto ou não conto para o ele ("Destino")? Afinal, nada mudaria entre nós, mas mudaria a nossa vida individualmente. Havia algumas semanas que não conversávamos mais por conta de uma implicância sem motivo com ele... Creio que já era um sintoma hormonal da gravidez. Passei toda a manhã no serviço com este pensamento me perturbando, então decidi pegar o telefone e escrever uma mensagem para ele, queria marcar um dia para conversaremos e assim contar a notícia. Comecei a conversar com um “oi, Tudo bem com você”? Perguntei de forma irônica se ele se lembrava de mim, a fim de puxar uma conversa mais descontraída para um assunto muito sério que viria logo após, não queria falar de cara e enfartar o pai da minha filha. Coincidentemente havia uma chamada perdida do Whats app registrada no meu celular, aproveitei e perguntei com quem não quer nada se ele havia me ligado, ele disse que nem viu foi então que resolvi fazer a primeira pergunta:
_“ Preciso conversar com você pessoalmente na semana que vem, pode ser?
Ele disse: _Não esta grávida não né?
Eu respondi com risos e logo após ele mandou pontos de exclamações para que respondesse a sua pergunta de forma direta e assim o fiz:
_Sim!
Ele logo ficou nervoso, questionando que não poderia ser, pois eu havia lhe dito que tomei a pílula do dia seguinte, e assim fiz, pois não estava nos meus planos engravidar e muito menos dele, pois não tínhamos nada sério somente ficamos por alguns meses e em certo ponto da nossa relação, como ordem natural das coisa, eu comecei a sentir algo por ele, mas ele não correspondia. Para que eu não sofresse decidi parar encerrar a minha história com ele
Entre poucas palavras ele disse a seguinte frase: ___você quer tê-lo? Acho melhor tirar, não quero ter filho... Não agora. Voto em tirar, damos um jeito de pagar.
Aquelas palavras me trouxeram náuseas, me revirou o estômago em ver como ele era frio mesmo tendo mandado para ele o áudio do seu coraçãozinho batendo.
Ele por diversas vezes indagou que o filho não era dele e sim do meu ex-namorado a quem já havia terminado há mais de três meses e que mal tinha relações com ele por justamente estar confusa a tudo que sentia. Então ele teve a brilhante ideia de sugerir a seguinte coisa: __... “se você estivesse pelo menos namorando, poderia ter outro pai, não posso ter isso agora”.
Neste momento tive a certeza de que ele era um babaca, que todo seu estudo e as filosofias que indagava seguir, e viver não fazia jus a sua atitude naquele momento.
A suas últimas palavras foram: __ “Tem noção da loucura que é ter esse filho assim”?

Eu disse: __ “Muito mais do que imagina”.

"Destino"

Estava passando por um dos piores anos de minha vida...

           Alguns meses se passaram após o término de uma longa relação de pouco mais de 5 anos que me despedaçou completamente, estava extremamente magoada, ferida e de certa forma não me reconhecia mais diante do espelho, mal conseguia me encarar e analisar a sombra da pessoa em que havia me tornado. Não a pessoa que sempre fui, mas aquela que jamais gostaria de ter me tornado. Passei por meses de revolta, tentando de certa forma matar tudo aquilo que estava sentindo, queria esquecer, afogar aquele sentimento em outras recordações que não fossem mais aquelas. Em uma destas minhas revoltas conheci um rapaz através de um aplicativo de encontros, conversamos sobre quem éramos e o que fazíamos de nossas vidas, sobre o cotidiano e nossas metas de vida (mal sabia que meu mundo iria mudar completamente) então décimos nos encontrar pessoalmente na sexta-feira às 20hs daquela semana.
         Marcamos o encontro em um shopping próximo de nossas casas, que por coincidência, ele também morava perto. Havia acabado de chegar do trabalho e estava um pouco cansada, mas decidida a me aventurar mais uma vez (vai que desta vez tudo daria certo). Com uma ideia formada de que meu corpo não deveria chamar mais a atenção do que o meu interior, decidi ir o mais simples possível. Coloquei um jeans escuro, uma blusa de manga média floral que estava com um furo remendado há poucos minutos antes de sair e uma sandália baixa, pois normalmente eu era mais alta que todas as pessoas da região (sendo dramática). A distância da minha casa até o local de encontro era pouco mais de 15 minutos e por sorte no exato momento em que cheguei o ônibus da linha 6350 estava passando em direção ao shopping. Como o trânsito estava menos intenso naquele horário em poucos minutos consegui chegar até o local combinado, que seria na praça de alimentação do Shopping. Cheguei alguns minutos antes no local combinado para o encontro. Decidi pedir um hambúrguer, pois a fome estava fazendo roncar o estômago, o que não seria nada sexy em um encontro, estava tentando passar o máximo de confiança possível comendo aquele hambúrguer, o que não era nada sexy quando uma gota de Ketchup caiu no meu colo, estabanada como sempre. Além de vestida como mulamba ainda teria um toque especial de Ketchup, o que ele iria pensar... Porca no mínimo, mas não estava nem aí, o que mais eu poderia perder sendo que já tinha perdido tudo. Estrategicamente avistei uma bancada alta no centro da praça de alimentação que estava com vários lugares disponíveis, neste lugar seria mais fácil de visualizá-lo ao chegar (uma rota de fuga caso se parecesse como um maluco ou maníaco). Minutos depois ele chegou com um capacete em uma de suas mãos. Ele estava vestido com uma bermuda cinza clara e uma camisa gola polo na cor mostarda, seu semblante parecia como de quem estava afoito e perdido, mas que enfim teria chegado ao seu destino. Seus cabelos eram negros, seus lábios eram carnudos e delineados, os olhos de um profundo castanho, suas sobrancelhas e barba de fios grossos e negros revelando uma beleza bruta e atraente (tirando a voz, porque quando abriu a boca não era nada atraente). Ele se apresentou e sugeriu algo para comer, logo respondi que já estava satisfeita, pois acabara de comer um sanduíche, ele retrucou dizendo: _ Nossa nem me esperou para comer, fominha! E sorriu.
Era um sorriso espetacular. Na hora me derreti, mas me mantive acordada e com os pés no chão. Sentimental do jeito que era e vulnerável pelo momento em que estava vivendo não poderia deixar que meu coração se bandeasse outra vez sem permissão. Não poderia me dar ao luxo de se apaixonar...
Tentei afastar qualquer sentimento com um "peteleco imaginário” e quando voltei à realidade resolvi responde-lo:
_Acho que cabe mais um hambúrguer aqui dentro.
Ele disse: _ Você é magra de ruim, não é? E sorriu novamente.
Foram alguns minutos de poucas palavras e troca de olhares entre as mordidas de hambúrguer até que ele teve a brilhante ideia de perguntar a minha altura e pedir para comparar a nossa altura medindo um ao lado do outro. Antes que pudesse descer do degrau do banco ele me puxou para perto de si e me deu um beijo firme e macio, naquele momento todo ar que tinha dos meus pulmões saíram por entre os nossos lábios se tornando em um suspiro erótico, era a faísca no estopim que faltava para incendiar aquele beijo. Estava atraída por ele e pelo prazer de um beijo que há muito tempo não sentia, era um desejo arrebatador e palpável. Ele sentiu o mesmo, me soltando e olhando dentro dos meus olhos de forma tão profunda. Tentei sentar no banco sem demonstrar que estava com as pernas bambas e um pouco tonta. Após mais um tempo de conversa decidir ir embora, pois já passava das 22hs e o local do ônibus era perigoso. Ele se ofereceu para me acompanhar até o ponto de ônibus, mas preferi que somente até a porta do shopping já seria o suficiente e gentil da parte dele. Assim que saímos pela porta do shopping, na intenção de despedir-se ele me deu outro beijo, desta vez mais ardente e intimo segurando-me pelos cabelos em minha nuca e um de seus braços envolto em minha cintura. Ele olhou com aqueles olhos castanhos e profundos dentro dos meus olhos e pediu para ficar. Ele ainda estava com os lábios encostados nos meus quando me fez o pedido em forma de súplica. Não poderia recusar ao um pedido daqueles, estava atraída por aqueles lábios e o que me faziam sentir. Para que não ficássemos expostos e pudesse constranger as pessoas que entravam sugeri que ficássemos por alguns minutos apenas em um abrigo de ônibus próximo a saída do shopping seria o suficiente, e realmente foi o suficiente para que ele me puxasse de forma brusca para junto do seu corpo e me desse mais um beijo, eu podia sentir a intensidade de sua vontade ao me beijar, aquele sentimento era mais do que tudo carnal. Eu não conseguia ir embora, queria aquele beijo mais que tudo, pois de alguma forma eu esquecia toda a dor e mágoa que estava sentindo naquele momento... Era meu remédio para dor. Passei o fim de semana pensando naquele beijo e a forma como me olhava, não imaginava que ele me ligaria outra vez e antes mesmo de pensar em mandar uma mensagem eu recebi uma sua me dizendo que queria outro encontro.
             O segundo encontro foi decisivo. Decidimos que esperar o momento certo para acalmar o desejo era fora de questão, teria que ser naquela noite...
Era um sentimento estranho...
Uma noite intensa e estranha, mas de certa forma me fazia esquecer como se fosse uma droga e eu sentia que precisava dele para fechar aquela ferida ou até mesmo esquecê-la mesmo que fosse por algumas horas. Passamos a nos ver todos os finais de semana, ele havia me convidado para dormir com ele em sua casa nos finais de semana, mas naquela época minha irmã tinha um pouco mais de 1 ano e a visitava quase todo fim de semana. Como combinado eu dormiria de sexta para sábado e na manhã seguinte ele me levava até o ponto de ônibus. Em certas ocasiões a necessidade de ficarmos juntos era tão grande que durante a semana ele me mandava mensagem querendo me ver. Às vezes ele me buscava perto de casa ao sair da faculdade e outrora me buscava na avenida principal perto de sua casa para que pudéssemos dormir juntos. Adormecia ao seu lado e pela manhã bem cedo levantava na ponta dos pés para tomar um banho e me arrumar para ir ao trabalho, quando estava para sair o acordava com um beijo dizendo que já iria e o deixava dormindo ali no colchão estendido no chão do quarto aonde dormíamos de forma mais confortável e silenciosa.
         Em uma noite enquanto adormecíamos sobre o colchão estendido no chão de seu quarto percebi que ele estava me olhando enquanto adormecia e em um gesto raro ele afagou os meus cabelos, decidi abrir meus olhos e perguntar se estava tudo bem, pois em uma de nossas conversas ele disse que por conta de um passado ele nunca mais conseguiu ser carinhoso, era como uma barreira para ele e isto seria impossível entre nós, compreendi, pois até aquele momento não alimentava nenhum sentimento por ele que não fosse carnal, ele era minha espécie de cura momentânea. Daquela noite em diante ele ficou estranho, meio arredio, mas nunca me fez qualquer indelicadeza, sempre me tratava com total respeito e atenção, me trazendo lanches na cama e colocando filmes de desenho para que víssemos abraçados enquanto tentávamos adormecer, pois ele sabia que eu adorava desenhos. Após um momento lúdico começamos a debater ideias, entre uma delas religiosa. Eu me sentia a vontade com ele, em ter estas conversas sem ser recriminada e a melhor parte era que ele me observava com atenção a cada palavra que dizia sem me interromper como se estivesse aprendendo algo, absorvendo as palavras que dizia e assim que terminava ele debatia comigo de forma a compreender o que tinha lhe falado, mas colocava a sua opinião de forma que não me ofendesse e sim de uma forma que nossas ideias se unissem, era maravilhoso conversar com ele. Um homem inteligente e culto de gosto musical clássico; o que de certa forma me irritava quando ele queria dormir ouvindo Mozart... Queria dormir com o silêncio e não com Mozart. Tudo o que estava vivendo com ele durante aqueles três meses me fez começar a sentir algo por ele, eu não sabia definir bem ao certo o que era, mas já estava me incomodando, até que em uma noite decidir terminar (não era um compromisso sério, mas estava ficando somente com ele por todo aquele tempo), expliquei que já era tempo de seguir em frente e que eu queria um relacionamento sério, queria amar alguém outra vez e que a nossa relação me impedia disso já que em uma de nossas conversas ele deixou bem claro que não tinha intenção de namorar, pois estava muito magoado assim como eu e juntos concordamos em levar aquilo não como um compromisso, mas uma forma de esquecermos o passado. Confesso que na hora meu olho cismou em descer uma lagrima, ergui bem às minhas pálpebras para que aquela lágrima secasse e não pudesse rolar do meu rosto demonstrando fraqueza. Em nenhum momento ele questionou, nem ao menos se quer olhou em meus olhos, assentiu com a cabeça em um gesto positivo, virou o rosto para o lado e dormiu sem ao menos me dizer uma palavra se quer, dormimos cada um para o seu lado naquela noite. Ao me despedir dele pela manhã lhe dei um beijo na bochecha e lhe disse:_ Adeus!
Ele disse: Você é quem quer!
Fui embora para minha casa e tentei ainda segurar aquela lágrima que insistia em aparecer até que deixei cair uma única gota e disse para mim mesma: _Ame a si mesmo primeiramente! Chega!

Janeiro de 2016

           Havia se passado um desde que terminei meu relacionamento de aproximadamente 6 ano, eu o amava ainda mas no fundo eu sabia que não era mais possível reatar o nosso namoro. Eu havia quebrado o seu coração em tantas partes quanto ele havia despedaçado o meu.
           Naquela época encontrei um rapaz de quem pude ter todo carinho e atenção, mas com o passar dos dias estava ficando difícil segurar a mágoa do passado e com isso estava machucando ele, descontando toda a minha frustração em uma pessoa inocente. Confesso que por um momento eu via nele a chance de ser feliz, mas a minha mente sempre sabotava meu coração. Em uma noite resolvi ficar sozinha em casa no fim de semana para descansar, não queria ver meu namorado e nem tão pouco ouvir a frase “Eu te amo” que ele me dizia todas as vezes que me fazia um carinho. Sabia que estava sendo egoísta e cruel com ele, mas o som daquela frase me trazia náuseas e revolta, pois ouvia mais “Eu te amo” em 5 meses que estava com ele do que o meu ex-namorado de 6 anos, isso me revoltava. Tinha noites em que o toque dele e seu carinho me irritavam, me trazia tremores pelo corpo como se estive sendo cortada por dentro. Sempre fui sincera aos meus sentimentos por ele lhe respondendo o quanto o adorava e ele era especial. Naquela mesma noite ele, a quem resolvi dizer a Adeus para encontrar um novo amor, resolveu aparecer e bagunçar ainda mais a minha cabeça perguntando como eu estava e também queria saber sobre o meu atual relacionamento, o tom de sua voz era como se contasse vantagem pelo o que ele me fazia sentir quando estávamos juntos e que talvez o meu atual não correspondesse as minhas expectativas, era muita prepotência dele, mas de certa forma ele estava correto, trazendo todas aquelas sensações e estímulos para meu corpo, já estava me perdendo em recordações e sensações quando tornei a realidade e resolvi afastar os pensamentos com um "peteleco" imaginário. Pouco tempo depois ele resolveu dizer que ao ver a foto do meu atual namorado comigo sentiu uma pontada de ciúmes e que talvez ele estivesse cometido um erro ao me deixar ir, disse que tinha medo por conta de seu passado. Por um momento ele parou como se estivesse se repreendendo e voltando a si por ter falado demais. Fiquei balançada com a suas palavras, mas nada que me fizesse ser infiel ao meu atual namorado, pois já estava craque em tipo de homens como meu ex, aquele tipo que fazem de tudo para conquistar o que deseja e após uma semana de ter conseguido o que queriam eles voltam a serem "Eles mesmos". Quando percebi que a conversa estava indo para outro rumo tentei Desconversar e dar uma desculpa dizendo que tinha um compromisso, encerrando por ali aquela conversa estranha. Após desligar o telefone mais uma vez a nostalgia veio ao meu coração e como um imã de coisas inusitadas eu recebi uma mensagem de vídeo como uma musica do cantor Lucas Lucco, sobre relacionamentos do então ex-namorado. Na hora fiquei congelada, pois não sabia o que fazer, então resolvi mandar somente uma mensagem elogiando a música e ele logo respondeu me dizendo que, assim que ele ouviu essa musica e viu a letra logo pensou em nós mas que estava confuso.... Foi um "salto com piruetas duplas" que o meu coração deu ao ler aquelas palavras. Estava com tanto medo de digitar, com tanto medo de acreditar que mesmo depois de um ano separados e tendo aquela nossa última conversa em forma de um desabafo engasgado por quase 6 longos anos de muitas decepções e mágoas ao qual despedacei o seu coração e mesmo assim naquela altura da nossa história ele ainda era capaz de sentir algo por mim que não fosse somente carnal... Mas estava enganada!
Passados os dias eu já não conseguia manter o namoro com meu atual, principalmente depois daquela musica em forma de declaração. Estava confusa e queria me arriscar, entrar mais uma vez naquela “roda gigante” que era o nosso amor, assim intitulado na nossa história em uma de suas cartas ao qual fez para mim no dia dos namorados. Na tarde de quinta-feira resolvi mandar uma mensagem para meu namorado dizendo que não iria para a cidade de Pirapora com a sua família, esclarecendo meu real motivo e medo de estrada e que a insegurança de estar no carro com seu pai dirigindo era muito grande, pois costumava ingerir bebida e no mesmo dia viajar de volta. Acho que ele já sentia que terminaria com ele, o tom de sua voz ao telefone quando lhe contei que não iria era de desapontamento, ele estava empolgado para me apresentar a toda a sua família e ter um final de semana romântico comigo conhecendo a fazenda de sua tia. Não queria magoa-la, mas a insistência era tão grande que resolvi dizer que precisava de um tempo para mim e que no momento que ele retornasse para Belo Horizonte iríamos conversar. Percebi pelo tom de sua voz um choro engasgado, como se o seu coração parasse em sua garganta, então ele me disse:
_ Se você quer terminar comigo não precisa me ver, eu não aguentaria... Você sabe que eu amo você!
Aquelas palavras enviadas era como duas facas em meu coração, uma por ter lhe dado esperança e outra por ser uma covarde e aceitar a sua proposta sem ao menos ter a decência de ir até a sua casa e conversar a respeito. Eu estava farta de dar explicações em minha vida, sabia que o que estava fazendo era cruel, mas seria muito pior se tivesse passado o fim de semana com ele e no dia seguinte terminasse a nossa história... Na verdade eu nunca deviria ter aceitado o pedido de namoro. Eu era uma pessoa "cheia de remendos e mágoas", não queria ser uma história ruim na sua vida, mas infelizmente eu fui e me arrependo muito disso, pois ele é uma pessoa maravilhosa e qualquer garota faria de tudo para ter uma pessoa como ele, mas o coração é terra sem lei aonde ninguém manda.
Após o termino do namoro, resolvi procura meu ex por quem ainda sentia amor com o pretexto de lhe entregar algumas cartas que ficara em uma caixa que lhe dei de presente e após o nosso termino ele me devolveu em uma tentativa de se reaproximar, mas eu não o quis, pois sabia que era "dor de cotovelo".
     
           Chegando à sua casa optei por não descer e lhe entregar as cartas no portão, conversamos um pouco e então percebi uma brecha ao qual me fez ter a coragem de lhe pedir um beijo (como quem não quer nada) e ele aceitou. Sugerir para que fossemos até a garagem de sua casa afim de que os vizinhos não nos vissem e comentasse pelo bairro uma possível volta (como se eu não quisesse isso na verdade), mas estava tentando transparecer maturidade e que tinha superado nossa história, aquele beijo seria somente um "Flash Back" e nada mais.
Tudo não passou de uma ilusão. Quando toquei os meus lábios no seu senti que era vazio, frio e sem sentimento... Era estranho beija-lo, mesmo com os anos eu não reconhecia mais aqueles lábios e o que eles me faziam sentir quando os tocava. Mais uma vez cometi um grande erro e envolvida pelo prazer que ele estava sentindo decidi “matar a saudade”... Foi neste momento lúdico que percebi que tudo que ele sentia ou sentiu foi somente carnal e que todas as suas atitudes durante aqueles anos foram somente pelo desejo da carne e o que eu proporcionava a ele. Senti-me imunda como se toda a sujeira do mundo escorresse pelo meu corpo, senti nojo de mim mesma e por ser tão burra de mais uma vez acreditar que seria possível. Em uma simples frase ele quebrou os cacos que ainda sobraram de pé dentro do meu coração dizendo: _ Que saudade da sua boca! Mas infelizmente ela não estava em seus lábios quando disse. Lembro-me de chegar em casa e chorar todas as lágrimas possíveis para o resto do ano (seria hipócrita e dramática se dissesse pelo resto da vida, pois a vida ainda me traria muito outros momentos de lágrimas, seja de dor ou de emoção).
           Após alguns dias resolvi mandar uma mensagem para ”aquele” que poderia curar esta dor, o único que me faria esquecer mesmo que fosse por algumas horas...
Estava com raiva de mim mesma, magoada mais uma vez e decepcionada, Eu queria descontar a minha raiva, esquecer aquele dia fatídico... Aquela maldita frase!
Assim que enviei a mensagem ele logo respondeu, no fundo ele já sabia que estava solteira, no mínimo desconfiava e sem hesitar aceitou a minha proposta de nos encontramos. A vontade de extravazar toda aquela raiva era tão grande que sugeri par ao dia seguinte, mas ele já tinha um compromisso e marcou para a terça-feira da semana seguinte.

23 de fevereiro 2016


Assim que me levantei lembrei que naquela noite eu teria um encontro, aquela raiva do fim de semana já havia diminuído, estava triste e sem nenhuma vontade de ver ninguém, mas como já havia marcado com ele não poderia voltar atrás e eu também precisava dele naquele momento, do que ele me fazia sentir e do que me fazia esquecer. Preparei um macarrão assado com arroz, legumes e um feijão com bacon, era um jantar simples porem saboroso, desta vez e pela primeira vez ele iria conhecer a minha casa e experimentar mais uma vez a minha comida já que em uma das ocasiões preparei panquecas e levei para jantarmos em sua casa. Ele estava na faculdade e mataria o último horário para chegar mais cedo em casa, quando o telefone tocou era por volta das 22h30min, ele me ligou para que eu saísse na rua e assim localizar a minha casa, acenei com a mão quando vi uma moto se aproximar, ele estava com a mesma roupa de quando nos conhecemos e lindo como sempre. Logo que guardou a moto no corredor de casa ele me deu um beijo roubado e um tapa no meu bumbum que me fez saltar do lugar, pois nunca havia feito tal coisa antes, foi inédito aquela postura da parte dele. Era notável que o desejo nele era maior do que o que estava em mim, pois estava com ele naquele momento como uma forma de vingar de mim mesma pela estupidez de ter acreditado que talvez pudesse recomeçar uma historia que já havia terminado muito antes de começar ("amor de roda gigante"). Eu queria ter as mesmas emoções e entusiasmos de quando ficávamos, mas era diferente daquela vez... Não tinha mais paixão. Passamos a noite juntos sem muitas palavras, ele por sua fez me fez cafuné e me deu um beijo carinhoso enquanto estávamos deitados um do lado do outro, mas eu não senti nada... Estava mais fria do que um bloco de gelo. Na manhã seguinte o acompanhei até o portão, pois também estava de saída para o trabalho e esta foi à última imagem que tive dele, colocando o capacete e buzinando com a moto ao arrancar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Amor de Roda Gigante

Trabalhava como secretária para um Neurocirurgião das 8 às 18 horas, ficava um bom tempo ocioso no período da tarde opôs o início das cirurgias agendadas para o dia. Em uma destas tardes resolvi criar uma conta em uma rede social nova para manter contatos com uns amigos durante esse período, dentre as pessoas ao qual pesquisei umas delas se destacou após aparecer na minha lista de amigos em comum; ele era moreno de uma beleza singular, mas algo nela havia me chamado mais a atenção do que sua bela cor, ele tinha bochechas rosadas que se destacavam na sua pele morena lhe dando um charme a mais. Era um rapaz de pouco mais de 20 anos, alto, corpo atlético e um sorriso de tirar o fôlego. A coincidência maior era que tínhamos um amigo em comum e ele morava próximo a minha casa. Conversamos por alguns minutos, pouco sabíamos um do outro. Ele morava no bairro há alguns anos e com frequência passava pela rua de minha casa, chegamos a nos ver em um destes momentos quando ele estava indo para a academia com o nosso amigo em comum.
Minha Irmã, filha do segundo casamento do meu pai havia nascido há poucos meses e estava maravilhada por ter uma irmãzinha naquela altura da vida. Resolvi enviar algumas fotos para que ele pudesse me conhecer melhor e ver o meu lado família; elogiada pela minha beleza comecei a ficar com um rubor nas minhas bochechas... Ainda bem que ele não poderia ver essa situação, estava a km de distância. Os dias foram se passando e as conversas se tornaram um pouco mais distantes à medida que as tardes de trabalho ficavam mais cheias, então decidi convida-lo para tomar um sorvete no fim de semana. Mal sabia que neste mesmo fim de semana meu mundo iria virar de pernas para o ar, e que tudo mudaria. Conheci um rapaz por quem me apaixonei platonicamente,os meses foram se passando e nossa relação se tornou instável, com brigas e traições terminando assim 5 meses após o nosso 1º beijo.
Estava eu ali diante de um buraco enorme deixado em meu peito, tendo o consolo dos joelhos da minha mãe nas madrugas em que acordava de um sonho ruim ao lembrar que tudo havia acabado e de toda humilhação que ele havia me feito passar. Eu queria sumir por um tempo, e na ocasião estava desempregada com isso me dava à oportunidade de sumir por alguns dias.
Em uma noite resolvi acessar a pagina da nova rede social que há muito tempo não acessava... La esta ele novamente; aquele moreno alto de bochechas rosada ao qual havia por acaso me encontrado no ônibus a caminho do serviço, mas não tinha coragem de falar com ele porque havia me apaixonado por outra pessoa platonicamente durante a nossa ultima conversa.
Tomei coragem e reforcei o convite feito há 5 meses atrás para tomar um sorvete e enfim nos conhecermos melhor, já que éramos praticamente vizinhos não havia empecilhos e distâncias para que isso acontecesse. Ele logo me respondeu rebatendo a minha proposta para que nos conhecêssemos antes do fim de semana. Ele me pediu para que aguardasse e que assim que tivesse a folga confirmada ele me ligaria para que nos encontrássemos.  

16 de Fevereiro de 2009

Passaram-se dois dias desde a última conversa, já se passavam das 21hs quando recebi uma ligação... Era ele!
Aquela voz rouca e calma me fez dar um salto da cama, pois até então nunca havia escutado a voz daquele garoto. Ele logo me disse: _ Daqui a 10 minutos estou subindo, me contra na esquina da mercearia.
Estava eufórica, pois estava desarrumada e ainda nem tinha tomado meu banho, como de costume eu tomo somente quando vou dormir. Resolvi tomar uma ducha rápida e ao mesmo tempo pensando qual roupa deveria usar para ocasião. Nunca havia marcado encontro com nenhum garoto e não saberia como me vestir ou me comportar. Usei uma calça justa que fazia jus as minhas curvas e uma regata justa na cor amarela e um perfume adocicado para conquistar o seu olfato, meus cabelos estavam na altura dos ombros, o mais curto que já usei. Eu estava simples, nada demais, pois o encontro seria a poucos metros da minha casa, mas não queria parecer feia e imunda para um encontro.
Lembro-me da perfeita imagem de um garoto de pouca mais de 20 anos, cor morena e de bochechas rosadas subindo o morro que dava acesso a rua da minha casa, ele estava de calça preta esportiva, um moletom de capuz preto e bonés com uma listra branca. Ele estava com uma roupa bem a vontade, confiante da sua beleza sem se importar com a roupa que vestia e isso me deixou satisfeita, pois demonstrava que ele, por ser tão bonito, não era daqueles garotos esnobes que ostentam roupas caras e carro do ano. Ele era perfeito!
Estava nervosa, minhas mãos suavam frio e o coração acelerado, antes que ele pudesse me ver eu  subi em um banco  – coisa de maluca – e fiquei la em pé como quem não quer nada. Foi quando ele levantou o rosto e pude perceber debaixo daquele boné o rosto de um garoto tão lindo, de uma expressão calma e bondosa... Encantei-me por aqueles olhos de jabuticaba e bochechas rosadas. Ele se aproximou e timidamente como as mãos nos bolsos do moletom Ele me deu um singelo “_ Oi!”. Ele era de longe o moreno mais lindo que já vi. Conversamos por alguns minutos, ali mesmo, ele na calçada olhando para baixo e eu sobre o banco tentando esconder meu nervosismo, resolvi descer e sentar no banco. Pedi a sua ajuda para descer, então foi neste instante que ele me roubou um beijo... Seus lábios eram carnudos e macio, dele emanava um cheiro bom, doce e limpo como que quem havia acabado de sair do chuveiro. Ele era gentil e carinhoso, segurando pela nuca por alguns instantes, senti um arrepio nas minhas costas e se espalhar por todo o meu corpo. Confesso que estava um pouco distante naquele momento, um pouco receosa com todo aquele beijo, pois acabara de ser magoada profundamente, passava as madrugadas no consolo dos joelhos de minha mãe enquanto soluçava de tanto chorar... Não queria me magoar outra vez, não nos próximos meses.

Março de 2009

Depois daquele beijo, nossos encontros foram ficando mais frequentes, a necessidade que tínhamos de estar perto do outro era cada vez maior e o desejo físico já estava ficando insustentável naquele momento. Decidimos após algumas semanas partir para o próximo passo, mas havia um problema... Estava de castigo... Sei que já era bem velhinha para isso, mas eu tive que respeitar a ordem da minha mãe pois ela saberia o que era melhor para mim já que descumpri uma ordem dela. Ele resolveu ir até a minha mãe, conversar sobre as intenções que tinha comigo e se ela o autorizava de me levar para sair combinando um horário de chegada. Ele conquistou o respeito da minha mãe, que o autorizou a me levar para sair. Estava nervosa com a ideia que finalmente iríamos dar um passo a diante, estava com medo, pois não tinha experiência e tão pouco pratica já que ele seria então os três rapazes que ficaria intimamente. Ele era alto e forte... Isso me dava medo diante da magreza em que me encontrava e o medo de “Sabe o que lá ele fará comigo, rs.” Estava tudo combinado, nos veríamos a poucos dias, em quinta-feira para ser exato.
O dia chegou, estava morrendo de medo e de nervosismo sobre como seria, o que deveria fazer e o que não fazer, como fazer.... Eram muitas perguntas na minha cabeça. O telefone tocou, era ele, avisando que estava subindo e que me buscaria em casa. Chegamos ao motel, ficamos  parados na fila esperando para ser atendidos, era muito estranho para mim, ouvia sons e barulhos que me fizeram ter a sensação “ estou entrando em uma roubada”, era a nossa vez e o quarto estava liberado. Havia comprado um lingerie para a ocasião afim de que ficasse mais atraente e bonita para ele; estava diante do espelho do banheiro trocando de roupa e me olhando um pouco mais atentamente as minhas curvas e a ausência de algumas delas. Estava tímida e nervosa quando resolvi sair do banheiro e lhe mostrar como eu estava vestida, era um conjunto de espartilhos cor de cereja e uma meia fina – me senti a atriz Julia Roberts no filme uma linda mulher – estava perdida. Quando eu o vi deitado na cama me esperando somente com uma cueca Boxer na cor amarela é que realmente a ficha caiu, me peguei em um pensamento “_ Como eu vou dar conta desse tamanho de homem?”. Aquele exemplar masculino maravilhoso, forte, alto, um sorriso de deixar as pernas bambas e aquele charme singular... As bochechas rosadas. Perguntava-me “_ Como pode eu, uma magrela sem curvas e de um sorriso aberto conquistar um garoto assim... só pode ser por causa do meu bumbum farto!”. Passamos a noite juntos, ele foi gentil e carinhoso, respeitando os meus limites e me proporcionando prazeres antes desconhecidos, éramos perfeitos na cama.
Os dias foram se passando e o então pedido de namoro chegou aos meus ouvidos, finge que não tinha escutado a indireta que havia me feito sobre o nosso relacionamento se tornar mais sério... Confesso que não estava preparada ainda, pois a mágoa no meu peito ainda era recente, afinal havia se passado pouco mais de um mês do fim de um tórrido romance, cheio de altos e baixos e de traições... Não queria me entregar por enquanto. Acho que ele percebeu que ainda era cedo, pois não tocou mais no assunto por algumas semanas.

1 de Abril de 2009

Era dia do seu aniversário... Ele havia me convidado para comemorar com alguns amigos do trabalho, era uma noite chuvosa e decidimos sair debaixo de um temporal... Foi ótimo, ver aquele olhar de felicidade em seu rosto enquanto corríamos para o carro como duas crianças fugindo da chuva. Era madrugada quando seus amigos decidiram estender a noite para mais um local de comemoração. Eu estava na mesa quando um deles perguntou se eu era a namorada dele. Timidamente ele respondeu:
“_ eu já pedi, mas ela esta me enrolando!”.
Lembro-me do rubor em suas bochechas e do olhar baixo e vergonhoso de quem acabou de revelar um segredo... Ele era realmente um rapaz lindo, em todos os aspectos, tanto por fora quanto por dentro. Naquele instante comecei a me sentir diferente com relação aos sentimos por ele, pense... “talvez já seja a hora de seguir com a minha vida e enterrar meu passado de vez”. Estava decidida que se ele me pedisse novamente em namoro eu aceitaria... e foi assim que aconteceu, naquela mesma noite após um de seus amigos nos deixarem na Rodovia próximo a minha casa ele veio caminhando ao meu lado de cabeça baixa, conversando comigo algo que não me lembro mais... Eu queria que ele parasse de falar e dizer que queria me namorar, mas tive que tomar uma iniciativa e partir para a indireta. No meio da conversa eu brinquei dizendo “_ então quer dizer que você quer me namorar, que você falou para os teus amigos que eu era a sua namorada, não é?” Eu vi que ele ficou um pouco desconsertado e logo disse:
“_Eu quero, mas você não quer então não vou pedir mais!”.
Na hora gelei e pensei – Perdi a oportunidade de ser feliz com ele, burra! – logo disse, mas se você me pedisse novamente eu aceitaria e sorri para ele. Ele me perguntou:
 “_você aceitaria namorar comigo então?”
Disse: “_Sim!”
Então começou nossa historia de pouco mais de cinco anos, nosso amor de “Roda Gigante”.

Vendaval


Era fim de tarde quando cheguei em casa após o trabalho. Resolvi visitar as minhas amigas e ver quais seriam os planos para o fim de semana, mal sabia o que estava prestes a acontecer... Houve uma discussão, em que cada uma queria ir para um lugar diferente e queria que eu escolhesse com qual sair. Fizemos um acordo e decidimos optar pelo evento da noite de sexta  em uma casa de shows próxima ao centro de Belo Horizonte. Após varias trocas de roupas decidimos a roupa ideal. Chegando ao local, vi que não se tratava de um lugar bonito e agradável, era um grande galpão antigo com uma pintura velha (estava pressentindo a roubada), decidi entrar e dar uma chance para o local. Entre uma musica e outra eu avistei uma rapaz que cumprimentava uma de minhas amigas, foi um momento único na minha vida, nunca tinha sentido aquela sensação... Queria aquele garoto de qualquer jeito!
Fiquei tão encantada com o rapaz que esqueci até da hora. Não teve jeito... já era tarde e corríamos o risco de não ter ônibus para retornar as nossas casas. Saímos correndo do local e para minha surpresa ele veio logo atrás perguntando aonde iríamos, minha amiga logo disse _ “  Vamos embora e esta perigoso ficar no ponto sem a proteção de um homem, nos acompanhe até o ponto? “ Logo acenou a cabeça concordando com que ela havia dito. Estávamos a caminho do ponto quando ele resolveu se aproximar e me dizer que a minha amiga comentou sobre o meu interesse nele e que também estaria interessado. Minhas amigas começaram a correr dizendo que o ônibus estava se aproximando. Lembro-me de ter tirado o salto, pois estavam machucando os meus pés... um deles caiu e no mesmo instante em que me abaixei ele também o fez. Ele olhou dentro dos meus olhos e tocou em minhas mãos, foi instantâneo o sentimento que tive por ele... aquele frio na barriga, boca seca e coração acelerado... Apaixonei-me platonicamente por aquele rapaz. De volta a Terra... Ele disse que logo nos veríamos. Eu queria aqueles lábios naquela hora e naquele lugar, mas fui puxada por umas de minhas amigas que me arrastou para dentro do ônibus, umas delas me disse _”Semana que vem você o verá novamente”.
Fui para a janela do ônibus e percebi que ele ainda segurava meu sapato, correndo ele me entregou pela janela do ônibus foi quando senti mais uma vez ele me tocar nas mãos e toda aquela sensação veio a tona em meu corpo.
Os dias foram se passando e a agonia no meu peito se espalhava, não aguentava mais esperar para vê-lo novamente e enfim sentir aqueles lábios.
O tão esperado dia chegou mas de imediato, ao subir as escadas eu o vi conversando com uma garota de forma mais intima, senti um ciúmes repentino, me sentindo traída já que ele sabia que estaria a caminho da festa. Durante toda a noite ele me evitou, no máximo que acontecia era um olhar por sobre os ombros da garota... Achei um desaforo e uma pontada de tristeza. Já era tarde e estava prestes a ir embora quando percebi a sua presença atrás de mim, ele tocou os meus ombros e me virou perguntando,
 _ Logo cedo, você já vai embora?
Disse:
_Não tenho mais nada aqui que me interesse ou que vale a pena ficar até mais tarde!
Estava nervosa e desapontada, quando percebi em seu rosto um sorriso de sarcasmo.
Ele disse:
_Não acredito nisso, você não veio a festa para me conhecer? Estou aqui para falar com você, tem toda a minha atenção.
Achei uma afronta, e logo retruquei:
_Sua namorada ou amiga deve estar te procurando, já que passou a festa toda com ela.
Ele espremeu os olhos, me dando aquele olhar de “eu vou te beijar agora”, foi quando de repente ele me abraçou... Deu-me um beijo no ombro, no pescoço – me fazendo sentir todas aquelas sensações da semana passada – depois olhou dentro dos meus olhos e me beijou de forma calma e gentil. Naquele instante senti o chão sumir debaixo dos meus pés (metaforicamente falando), eu fiquei em estado de êxtase e não ouvia ou via mais nada ao meu redor, existiam somente duas pessoas naquela sala e estas pessoas éramos nós. Perdi-me naquele beijo, nas sensações que o meu corpo sentia e só queria uma coisa... Ele!
Após minutos infindáveis de beijos e carinhos ele me pediu em namoro e disse que nunca havia sentido o que estava sentindo por mim e desejava que eu fosse somente dele. Era uma loucura todo aquele sentimento e me deixei levar pela emoção, aceitando seu pedido tão inesperado mas tão cheio de promessas... queria me entregar ao vendaval de emoções que estava sentindo.
Os meses foram se passando e nossa relação se tornou instável, com brigas e traições terminando assim 5 meses após o nosso primeiro beijo. Uma paixão tórrida e cheia de decepções.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Platônicos

Era uma tarde de quarta quando tudo aconteceu ...
Havia acabado de sofrer uma decepção amorosa e queria seguir a minha vida em frente, chegando ao meu limite em decepções. Como de costume me levantei e preparei para sair e ir ao trabalho, rotina normal, tudo normal. Estava na hora do almoço,  lembrei de uma amiga que me falou sobre um certo aplicativo de conversas e que seria bom para conhecer pessoas, resolvi baixa-lo em meu aparelho e descobrir de fato se poderia me distrair da tristeza que estava sentindo naqueles últimos dias. Comecei a fazer as devidas atualizações e configurações conforme orientado, a medida que explorava o aplicativo fui entendendo o propósito da minha amiga, jamais iria acontecer assim, tão rápido alguém se interessar por mim. Adicionei algumas fotos e escrevi algumas palavras como descrição no meu perfil, decidida comecei a usá-lo; na brincadeira fui curtindo alguns rapazes, de imediato me curtiram e para meu espanto foram rápidos aos se interessarem. Havia um rapaz em especial...  pele clara, cabelos lisos e pretos, havia traços de um tipo de beleza que me atraia, as suas fotos eram divertidas, destacando a sua personalidade brincalhona; foi de imediato a atração por aquele garoto e na mesma velocidade o seu interesse em conversar.
Lembro-me da sua frase, ele disse:  _" Vamos para o Chile comigo??"
Sorrindo, disse: _"não tenho dinheiro, comecei em um novo emprego recentemente e não posso sair assim, rs"
Foi tão intensa a vontade de conhece-lo, que poderia sair dali onde estava e correr, impedindo que voasse para o Chile. Para minha alegria e tristeza, ele estava com viagem marcada para o dia seguinte ás 18hs, retornaria na quinta da semana seguinte.
Conversamos por alguns minutos, meu horário para pausa havia se acabado, não queria parar de conversar com ele ... queria vê-lo e antes mesmo que dissesse, ele estava sugerindo um encontro antes de sua partida para o dia seguinte, 28 de maio de 2015, às 13hs. Combinamos de nos encontrar próximo ao meu serviço, logo após seguirmos até o restaurante. Fiquei ansiosa para que o dia terminasse logo e pudesse conversar com ele a noite, como esperado ficamos conversando a noite por horas, sobre tudo e sobre nada, era uma conversa agradável com muitos risos e brincadeira, estava platônicamente me apaixonando por aquele rapaz...
O dia chegou, me preparei para o "grande momento" em que conheceria aquele que fez meu coração bater mais rápido, podia ouvi-lo e sentir pulando em meu peito. As horas se delongaram, não aguentava de ansiedade, minha boca seca, já não conseguia prestar atenção no trabalho... só pensava nele e em como seria, o que deveria fazer e como me comportar; estava me sentindo uma adolescente prestes a fugir pelos muros da escola e encontrar o seu grande amor. Meu telefone vibrou, era uma mensagem dele dizendo que já estava à caminho. Faltava pouco para o prazo combinado, quando mais uma mensagem chegou dizendo: _"estou na porta!" . Dei um pulo na cadeira e corri para o banheiro, olhei-me no espelho para ver se estava bem apresentável;com o "coração na boca" estava diante do espelho dizendo para mim: _" Vai dar certo!"
Sai confiante com meu batom rosa e uma regata delicada por debaixo da jaqueta, estava morrendo de calor mas decidi sair assim mesmo com ela. Ele estava parado debaixo do coqueiro de costas para a saída do escritório, por um momento parei e o observei. Ele era poucos centímetros mais baixo, pudera, pois tenho 1,80 cm e sabia que ele não era da mesma altura... não me importava, queria conhece-lo, toca-lo, sentir seu cheiro e saber que era real tudo o que sentia. Ele se virou, porém de uma forma engraçada, com um certo rebolado; estava morrendo de vontade de rir mas segurei. Ele era mais lindo pessoalmente.
Estava tão nervosa que esqueci de registrar a minha saída, na hora deixei com ele minha carteira retornando para o escritório.
Conversamos durante todo o caminho, sem jeito, tímidos. Uma atmosfera nos cercava, um sentimento de desejo e medo estava entre nós. Durante o almoço trocamos olhares e sorrimos, eu queria beijá-lo mas estava insegura se ele também estava sentindo o mesmo desejo por mim. Saímos após pagar a conta, começamos o percurso de volta ao escritório quando ele sugeriu um lugar para sentar, logo a frente, do outro lado rua havia um banco. Decidimos ficar por ali pelos poucos minutos que me restavam, já estava aflita,  quase perto de ir e nenhum sinal que ele desejava me beijar. Decidi abrir um bombom que tinha comprado para sobremesa, quando, tão logo me disse: "_ Estava esperando só esta hora, e então ele me beijou... perfeito e macio era seus lábios, carnudos e de um tom rosa, era um beijo suave e intenso ao mesmo tempo. Não queria parar mas o beijo despertou em nós desejos que, em público, era embaraçoso. Havia mais desejo naquele beijo do que esperava, foi suficiente para me apaixonar ainda mais por aquele garoto que estava partindo. A despedida foi umas das sensações mais estranhas que senti, uma mistura de felicidade, medo, queria chorar e correr, como em um daqueles filmes de romance, quando o soldado parte para a guerra e suas esposas não aguentam pensar que, talvez, nunca mais os veria e corria em direção ao seu amado para mais um beijo. Era platônico tudo que sentia naquele momento, mas eu deseja me deixar sentir, há muito tempo não sentia... ser correspondida.
Ele partiu para o chile, não paramos de conversar até o ultimo minuto antes da decolagem.
Chegando no seu destino, logo me mandou fotos do lugar. Almejava está ali, compartilhando das mesmas emoções que a dele, sentindo o frio de Santiago. Por algumas horas ficamos sem nos comunicar, afinal ele tinha que desfrutar do lugar e comigo conversando ele não teria esta oportunidade. Pouco mais das 22 hs ele apareceu me contando sobre os lugares visitado e como era a cidade. Todas as noites conversávamos pelo Skype por horas, chegando à dormir 2, 3 hs da manhã... me fazia muitas promessas, prometendo a felicidade e ser um homem melhor, me dar todo o carinho e amor que ele estava sentindo naquele momento chegando até me fazer um pedido de namoro inesperado... era um sonho!
A poucos dias do seu retorno meu ex resolveu saber o que sentia por mim e tentar me reconquistar com todos os mimos e formas românticas que sempre sonhei em ter em nosso longo relacionamento, mas ele não deu valor, só pensava nele. Nada mudou o que estava sentindo pelo meu "Todi", assim o chamava, pois em uma de nossas conversas, aconteceu um mal entendido de palavras e acabei lhe dando este apelido. Era nosso mundo particular, estávamos a milhares de quilômetros mas o desejo de estar com ele dava a sensação que estava bem perto de mim.
Os dias foram se passando, chegando o tão esperado dia do seu retorno. Pedi para sair 1 hora mais cedo, no propósito de chegar a tempo de recebe-lo no aeroporto; estava ansiosa, imaginando como seria o nosso reencontro...
Quando ele acenou para mim próximo ao portão de embarque, meu coração quase parou, estava mais lindo, com aquele beleza que me atraia, com um Jeans claro, uma jaqueta azul royal e um gorro cinza; estava com barba e ainda mais lindo do que da última vez. Me apressei e logo o  beijei, tocando meus lábios nos seus por alguns segundos sem nos mover... que saudade daqueles lábios, do cheiro bom que ele tinha e de como me fazia sorrir.
Neste dia estava de mala pronta pois ele queria passar o fim de semana comigo, ao chegar em seu apartamento, um tanto quanto bagunçado, não quis esperar nem mais um minuto para te-lo. Nos descobrimos aos poucos, explorando cada sensação que o outro sentia ao toque das mãos e do contato do corpo. Era intenso e ao mesmo tempo calmo, cheio de desejos e anseios. Os dias foram se passando e nos conhecemos a cada dia, nas conversas, nos olhares, até mesmo no silêncio do apartamento, então tudo se enchia de desejo e era maravilhoso senti-lo. As coisas mudaram de repente no domingo, acordamos e de costume sentimos a falta dos nossos corpos sentindo um ao outro. Era pouco mais das 14hs quando percebi a sua mudança de humor e comportamento, ao perguntar o que estava lhe incomodando ele confessou dizendo que não estava sentindo por mim o que ele achava que sentia, que estava confuso e que não queria assumir um relacionamento, tinhas planos e metas diferentes na sua vida. Olhei para ele, com os olhos cheio de lagrima mas me esforçava para que nenhuma lagrima queimasse meu rosto, pela decepção e tristeza que sentia naquele momento ao ouvi-lo dizer a grosso modo que "foi um erro". Peguei as minhas coisas e sai sem falar nada, não olhei para trás, saindo pelo prédio, ainda segura no meu peito a dor que sentia de um coração partido... como pode me prometer tantas coisas ,ser covarde dizendo sem rodeios, que tudo era um erro. Meu mundo sumiu debaixo dos meus pés, queria cair naquele chão e chorar até toda lagrima secar dos meus olhos, mas não o fiz, continuei seguindo em direção ao ponto. Chegando em casa desmoronei sobre meus joelhos me perguntando o porquê de tudo aquilo... eu queria arrancar meu coração do peito e gritar bem alto o meu lamento. Resolvi expressar, meio que covarde, mas foi melhor do que chorar e me sentir humilhada por expor o que sentia, fiz um áudio e logo lhe enviei, no mesmo segundo ele leu ficando em silêncio, aquilo me doía. Passei a noite chorando e tentando entender e descobrir aonde eu tinha errado, o que eu tinha feito ou deixado de fazer para ele me desprezar assim. Alguns minutos depois eu recebi um áudio em resposta, me pedindo desculpas, que ele havia errado e estava com medo... queria viver aquela história comigo. Na hora não sabia o que sentir... raiva, felicidade, medo, paixão, era uma mistura de sentimentos e dúvidas. Alguns dias se passaram e nos reencontramos, quando o vi todo o medo que estava sentindo desapareceu, nos beijamos com muita intensidade, permanecendo imóveis somente trocando olhares que pareciam falar mais do que palavras... eu queria ele, mesmo que na noite seguinte ele mudasse de ideia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A árvore

       Fim de tarde, mais um dia na minha adolescência sem novidades, somente um dia comum como qualquer outro. Meus amigos e eu decidimos sentar em frente a uma casa "mal assombrada" que ficava no fima da rua, passávamos algumas horas conversando sobre histórias de terror debaixo de um pequena castanheira.
        Mais uma vez coração ... lá vamos nós!
        Em nossa direção, vinha um garoto magro, alto, de pele clara, olhos verdes e grandes, uma boca incrivelmente vermelha e carnuda, foi de imediato o sentimento. Ele estava diante de mim quando parou a bicicleta, nos olhamos por alguns segundos até que ficamos sem graça.
        Não tirava o olhar dele, desejando muito aqueles lábios. Ainda não nos conhecíamos, mas a atmosfera que nos cercava dispensava apresentações. Começamos a conversar sem cerimônias, a descontração e liberdade em palavras era notória diante do nosso grupo, aos poucos foram se retirando, cada um para sua casa, sobrando três pessoas debaixo do pé de castanha, meu amigo, ele (minha nova paixão nem um tanto avassaladora como as anteriores) e eu, era diferente as coisas entre nós, havia maturidade e cautela nos olhares e palavras. Em um momento repentino, surgiu um assunto que nos colocou diante de um desafio, lembro-me de sua reação quando me desafiou a beijá-lo, era de mistério e dúvida. Como estava em sua frente, resolvi levantar e aceitar o desafio, lhe dando um beijo casto e rápido, tão rápido que não pude sentir o calor dos teus lábios.
        Resolvemos ir embora e ele me acompanhou com sua bike por alguns minutos até o meu portão, assim nos despedimos, sem cerimônias e sem palavras. Tudo era diferente com ele.
Passaram-se os dias; chegando na escola eu o vi entre os alunos, não me lembrava dele na escola, puderá, ele era rebelde e estava no último ano. Lá estava eu, mais uma vez, pega olhando para ele com olhares furtivos, sem demostrar meu interesse em beija-lo mais uma vez . Ele era mais velho, estava se formando na 8ª série e eu na 6ª.
         Nos intervalos, era difícil nossa aproximação, ele pertencia ao um grupo mais maduro e era primo da garota mais popular do colégio, detalhe, não sei por quê, mas ela não simpatizava com a minha pessoa. Decidi não me aproximar dele.
         Passaram os dias até que chegou o fim de semana, era noite quando resolvemos fazer uma pequena reunião em minha casa, assávamos batatas em um fogão a lenha entre as antigas paredes do meu quarto inacabado, ali estavam, meu amigo e duas primas, passávamos quase todo fim de semana entre aquelas paredes, conversando e depois subindo no telhado para observar as estrelas. Lembro-me do calor da lage e quão inumerosa eram as estrelas aquela noite; ouvi um bater de palmas e uma voz grossa a chamar pelo nome do meu amigo. Estava em cima do telhado quando vi aquela figura alta e magra, de lábios incrivelmente carnudos, ele entrou e olhou para cima onde eu estava no telhado, resolvi descer e me aproximar dele, mais uma vez. Já passavam das dez horas quando os pais começaram a chamar um por um dos integrantes do grupo, sobrando por último ele e eu... não sabia o que dizer, se mandava ele ir embora ou se o beijava. Não precisei pensar muito, em meios aos devaneios da minha mente, ele me surpreendeu com um beijo, este ainda mais demorado, mais intenso, mais cheio de vontade. Nunca tinha sentido aquelas sensações, os arrepios, as pernas bambas e um sentimento tórrido. Resolvi me afastar antes que as coisa ficassem um tanto quanto estranhas entre nós, estava confusa com o turbilhão de sensações que ele provocava em mim. Decidi juntar as brasas e guardar os espetos, já passavam das 23hs quando resolveu se despedir, me deu mais um beijo, desta vez mais suave.
        Os dias foram se passando, e os fins de semana em meios as paredes do meu quarto era a oportunidade perfeita para nosso encontro. Todos já sabiam do nosso romance.
      Em meio a conversas ele me fez a promessa que, naquela semana me apresentaria para todos do colégio como sua namorada, até então, ficávamos cada um com o seu grupo, sem palavras, somente troca de olhares fortuitos.
        Chegou a tão esperada semana, enfim, todos saberiam que eramos um casal, mas isso não aconteceu... não era um bom dia certamente. Estava ensolarado, a frente a professora anunciava uma prova surpresa e pedia a todos que estudassem, quando de repente, o sinal do término da aula ecoava nos corredores da escola, meu coração saia pela boca pois sabia que naquele dia, ele iria assumir o nosso amor. Ao sair pela porta da sala de aula me deparei com uma cena de partir o coração. Sua prima popular e sua fiel amiga me cercaram no corredor das salas; quando voltei meus olhos para o pátio, tentei encarar aquele cena que embrulhava meu estômago e me dava um nó na garganta... era ele... abraçado a uma garota loira, até então, não havia notado a sua presença no colégio. Ela aparentava ser da mesma idade que a dele, mas o que importa, ele estava ali, diante dos meus olhos anunciando para todos ouvirem que, "aquela era a sua namorada".
         Não sabia o que fazer, queria correr, sumir dali e chorar, mas aquelas brutamontes estavam diante de mim, com aquele sorriso de satisfação por verem a minha tristeza e vergonha diante daquela cena... então voltei para sala e chorei.
        Alguns anos se passaram desde a última vez que o vi. Estava retornando para o bairro depois que meus pais se separaram, estava diferente, mais madura.
        Era noite quando resolvi visitar a minha prima para jogar uma partida de pife, ela e seu namorado. Uma voz veio da janela, chamando pelo nome da minha prima, aquela voz era inconfundível, era ele... meu coração saltou pela boca quando o vi entrar pela porta, estava diferente, com um ar mais revoltado, com piercing pelo corpo e os cabelos mais curtos. Minha prima resolveu apimentar a brincadeira fazendo apostas, quem perdesse no jogo pagaria uma prenda... era tudo um plano. No começo ganhei algumas partidas, o clima já estava ficando chato, então resolvi perder e ver qual seria minha punição. Era o esperado para a noite... minha prima ditou a primeira punição.. beija-lo no peito. Me preparei para o feito da noite quando percebi, dois novos adereços em seu corpo, um piercing em cada um de seus mamilos, admito que me surpreendi ao ver o seu peito nu com os adereços brilhando a luz das velas, ao qual foram colocadas no quarto para tornar a jogo com mais suspense. Na penumbra, percebi o seu peito arfar com o toque dos meus lábios, toda aquele desejo por ele estava ali dentro de mim, mas a mágoa da humilhação não permitia nenhum sentimento bom por ele, queria que ele sofresse e chorasse.
       Passaram-se alguns dias desde a nossa brincadeira, mais uma vez estávamos a sós, desta vez em meu quarto. Ele estava ali, diante de mim com um olhar arrependido me pedindo desculpas, no rádio começou a tocar a música da banda, " Silverchair - Open Fire", foi quando ele me pediu para namorar, se ajoelhou e começou a cantar a música para mim; por um momento fiquei feliz com a declaração, mas a mágoa era mais forte. Olhei duramente para o seu rosto, na minha cabeça surgia o plano maquiavélico para faze-lo sofrer, como planejado, assim aconteceu. Durante o meu plano fraquejei, deixei vencer pelo sentimento que tinha por ele, foi quando, arrependida lhe contei toda a verdade.
        Naquela noite em especial, ele tinha em seu bolso um par de alianças para selar o nosso compromisso.  Diante de toda verdade dita, eu vi em seus olhos a decepção que sentia, o ódio por te-lo traído. Meu coração se despedaçou por ter feito, jogando fora toda a oportunidade de ser feliz por um capricho da vingança.. ele se foi e por anos não mais nos falamos.