segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Platônicos

Era uma tarde de quarta quando tudo aconteceu ...
Havia acabado de sofrer uma decepção amorosa e queria seguir a minha vida em frente, chegando ao meu limite em decepções. Como de costume me levantei e preparei para sair e ir ao trabalho, rotina normal, tudo normal. Estava na hora do almoço,  lembrei de uma amiga que me falou sobre um certo aplicativo de conversas e que seria bom para conhecer pessoas, resolvi baixa-lo em meu aparelho e descobrir de fato se poderia me distrair da tristeza que estava sentindo naqueles últimos dias. Comecei a fazer as devidas atualizações e configurações conforme orientado, a medida que explorava o aplicativo fui entendendo o propósito da minha amiga, jamais iria acontecer assim, tão rápido alguém se interessar por mim. Adicionei algumas fotos e escrevi algumas palavras como descrição no meu perfil, decidida comecei a usá-lo; na brincadeira fui curtindo alguns rapazes, de imediato me curtiram e para meu espanto foram rápidos aos se interessarem. Havia um rapaz em especial...  pele clara, cabelos lisos e pretos, havia traços de um tipo de beleza que me atraia, as suas fotos eram divertidas, destacando a sua personalidade brincalhona; foi de imediato a atração por aquele garoto e na mesma velocidade o seu interesse em conversar.
Lembro-me da sua frase, ele disse:  _" Vamos para o Chile comigo??"
Sorrindo, disse: _"não tenho dinheiro, comecei em um novo emprego recentemente e não posso sair assim, rs"
Foi tão intensa a vontade de conhece-lo, que poderia sair dali onde estava e correr, impedindo que voasse para o Chile. Para minha alegria e tristeza, ele estava com viagem marcada para o dia seguinte ás 18hs, retornaria na quinta da semana seguinte.
Conversamos por alguns minutos, meu horário para pausa havia se acabado, não queria parar de conversar com ele ... queria vê-lo e antes mesmo que dissesse, ele estava sugerindo um encontro antes de sua partida para o dia seguinte, 28 de maio de 2015, às 13hs. Combinamos de nos encontrar próximo ao meu serviço, logo após seguirmos até o restaurante. Fiquei ansiosa para que o dia terminasse logo e pudesse conversar com ele a noite, como esperado ficamos conversando a noite por horas, sobre tudo e sobre nada, era uma conversa agradável com muitos risos e brincadeira, estava platônicamente me apaixonando por aquele rapaz...
O dia chegou, me preparei para o "grande momento" em que conheceria aquele que fez meu coração bater mais rápido, podia ouvi-lo e sentir pulando em meu peito. As horas se delongaram, não aguentava de ansiedade, minha boca seca, já não conseguia prestar atenção no trabalho... só pensava nele e em como seria, o que deveria fazer e como me comportar; estava me sentindo uma adolescente prestes a fugir pelos muros da escola e encontrar o seu grande amor. Meu telefone vibrou, era uma mensagem dele dizendo que já estava à caminho. Faltava pouco para o prazo combinado, quando mais uma mensagem chegou dizendo: _"estou na porta!" . Dei um pulo na cadeira e corri para o banheiro, olhei-me no espelho para ver se estava bem apresentável;com o "coração na boca" estava diante do espelho dizendo para mim: _" Vai dar certo!"
Sai confiante com meu batom rosa e uma regata delicada por debaixo da jaqueta, estava morrendo de calor mas decidi sair assim mesmo com ela. Ele estava parado debaixo do coqueiro de costas para a saída do escritório, por um momento parei e o observei. Ele era poucos centímetros mais baixo, pudera, pois tenho 1,80 cm e sabia que ele não era da mesma altura... não me importava, queria conhece-lo, toca-lo, sentir seu cheiro e saber que era real tudo o que sentia. Ele se virou, porém de uma forma engraçada, com um certo rebolado; estava morrendo de vontade de rir mas segurei. Ele era mais lindo pessoalmente.
Estava tão nervosa que esqueci de registrar a minha saída, na hora deixei com ele minha carteira retornando para o escritório.
Conversamos durante todo o caminho, sem jeito, tímidos. Uma atmosfera nos cercava, um sentimento de desejo e medo estava entre nós. Durante o almoço trocamos olhares e sorrimos, eu queria beijá-lo mas estava insegura se ele também estava sentindo o mesmo desejo por mim. Saímos após pagar a conta, começamos o percurso de volta ao escritório quando ele sugeriu um lugar para sentar, logo a frente, do outro lado rua havia um banco. Decidimos ficar por ali pelos poucos minutos que me restavam, já estava aflita,  quase perto de ir e nenhum sinal que ele desejava me beijar. Decidi abrir um bombom que tinha comprado para sobremesa, quando, tão logo me disse: "_ Estava esperando só esta hora, e então ele me beijou... perfeito e macio era seus lábios, carnudos e de um tom rosa, era um beijo suave e intenso ao mesmo tempo. Não queria parar mas o beijo despertou em nós desejos que, em público, era embaraçoso. Havia mais desejo naquele beijo do que esperava, foi suficiente para me apaixonar ainda mais por aquele garoto que estava partindo. A despedida foi umas das sensações mais estranhas que senti, uma mistura de felicidade, medo, queria chorar e correr, como em um daqueles filmes de romance, quando o soldado parte para a guerra e suas esposas não aguentam pensar que, talvez, nunca mais os veria e corria em direção ao seu amado para mais um beijo. Era platônico tudo que sentia naquele momento, mas eu deseja me deixar sentir, há muito tempo não sentia... ser correspondida.
Ele partiu para o chile, não paramos de conversar até o ultimo minuto antes da decolagem.
Chegando no seu destino, logo me mandou fotos do lugar. Almejava está ali, compartilhando das mesmas emoções que a dele, sentindo o frio de Santiago. Por algumas horas ficamos sem nos comunicar, afinal ele tinha que desfrutar do lugar e comigo conversando ele não teria esta oportunidade. Pouco mais das 22 hs ele apareceu me contando sobre os lugares visitado e como era a cidade. Todas as noites conversávamos pelo Skype por horas, chegando à dormir 2, 3 hs da manhã... me fazia muitas promessas, prometendo a felicidade e ser um homem melhor, me dar todo o carinho e amor que ele estava sentindo naquele momento chegando até me fazer um pedido de namoro inesperado... era um sonho!
A poucos dias do seu retorno meu ex resolveu saber o que sentia por mim e tentar me reconquistar com todos os mimos e formas românticas que sempre sonhei em ter em nosso longo relacionamento, mas ele não deu valor, só pensava nele. Nada mudou o que estava sentindo pelo meu "Todi", assim o chamava, pois em uma de nossas conversas, aconteceu um mal entendido de palavras e acabei lhe dando este apelido. Era nosso mundo particular, estávamos a milhares de quilômetros mas o desejo de estar com ele dava a sensação que estava bem perto de mim.
Os dias foram se passando, chegando o tão esperado dia do seu retorno. Pedi para sair 1 hora mais cedo, no propósito de chegar a tempo de recebe-lo no aeroporto; estava ansiosa, imaginando como seria o nosso reencontro...
Quando ele acenou para mim próximo ao portão de embarque, meu coração quase parou, estava mais lindo, com aquele beleza que me atraia, com um Jeans claro, uma jaqueta azul royal e um gorro cinza; estava com barba e ainda mais lindo do que da última vez. Me apressei e logo o  beijei, tocando meus lábios nos seus por alguns segundos sem nos mover... que saudade daqueles lábios, do cheiro bom que ele tinha e de como me fazia sorrir.
Neste dia estava de mala pronta pois ele queria passar o fim de semana comigo, ao chegar em seu apartamento, um tanto quanto bagunçado, não quis esperar nem mais um minuto para te-lo. Nos descobrimos aos poucos, explorando cada sensação que o outro sentia ao toque das mãos e do contato do corpo. Era intenso e ao mesmo tempo calmo, cheio de desejos e anseios. Os dias foram se passando e nos conhecemos a cada dia, nas conversas, nos olhares, até mesmo no silêncio do apartamento, então tudo se enchia de desejo e era maravilhoso senti-lo. As coisas mudaram de repente no domingo, acordamos e de costume sentimos a falta dos nossos corpos sentindo um ao outro. Era pouco mais das 14hs quando percebi a sua mudança de humor e comportamento, ao perguntar o que estava lhe incomodando ele confessou dizendo que não estava sentindo por mim o que ele achava que sentia, que estava confuso e que não queria assumir um relacionamento, tinhas planos e metas diferentes na sua vida. Olhei para ele, com os olhos cheio de lagrima mas me esforçava para que nenhuma lagrima queimasse meu rosto, pela decepção e tristeza que sentia naquele momento ao ouvi-lo dizer a grosso modo que "foi um erro". Peguei as minhas coisas e sai sem falar nada, não olhei para trás, saindo pelo prédio, ainda segura no meu peito a dor que sentia de um coração partido... como pode me prometer tantas coisas ,ser covarde dizendo sem rodeios, que tudo era um erro. Meu mundo sumiu debaixo dos meus pés, queria cair naquele chão e chorar até toda lagrima secar dos meus olhos, mas não o fiz, continuei seguindo em direção ao ponto. Chegando em casa desmoronei sobre meus joelhos me perguntando o porquê de tudo aquilo... eu queria arrancar meu coração do peito e gritar bem alto o meu lamento. Resolvi expressar, meio que covarde, mas foi melhor do que chorar e me sentir humilhada por expor o que sentia, fiz um áudio e logo lhe enviei, no mesmo segundo ele leu ficando em silêncio, aquilo me doía. Passei a noite chorando e tentando entender e descobrir aonde eu tinha errado, o que eu tinha feito ou deixado de fazer para ele me desprezar assim. Alguns minutos depois eu recebi um áudio em resposta, me pedindo desculpas, que ele havia errado e estava com medo... queria viver aquela história comigo. Na hora não sabia o que sentir... raiva, felicidade, medo, paixão, era uma mistura de sentimentos e dúvidas. Alguns dias se passaram e nos reencontramos, quando o vi todo o medo que estava sentindo desapareceu, nos beijamos com muita intensidade, permanecendo imóveis somente trocando olhares que pareciam falar mais do que palavras... eu queria ele, mesmo que na noite seguinte ele mudasse de ideia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A árvore

       Fim de tarde, mais um dia na minha adolescência sem novidades, somente um dia comum como qualquer outro. Meus amigos e eu decidimos sentar em frente a uma casa "mal assombrada" que ficava no fima da rua, passávamos algumas horas conversando sobre histórias de terror debaixo de um pequena castanheira.
        Mais uma vez coração ... lá vamos nós!
        Em nossa direção, vinha um garoto magro, alto, de pele clara, olhos verdes e grandes, uma boca incrivelmente vermelha e carnuda, foi de imediato o sentimento. Ele estava diante de mim quando parou a bicicleta, nos olhamos por alguns segundos até que ficamos sem graça.
        Não tirava o olhar dele, desejando muito aqueles lábios. Ainda não nos conhecíamos, mas a atmosfera que nos cercava dispensava apresentações. Começamos a conversar sem cerimônias, a descontração e liberdade em palavras era notória diante do nosso grupo, aos poucos foram se retirando, cada um para sua casa, sobrando três pessoas debaixo do pé de castanha, meu amigo, ele (minha nova paixão nem um tanto avassaladora como as anteriores) e eu, era diferente as coisas entre nós, havia maturidade e cautela nos olhares e palavras. Em um momento repentino, surgiu um assunto que nos colocou diante de um desafio, lembro-me de sua reação quando me desafiou a beijá-lo, era de mistério e dúvida. Como estava em sua frente, resolvi levantar e aceitar o desafio, lhe dando um beijo casto e rápido, tão rápido que não pude sentir o calor dos teus lábios.
        Resolvemos ir embora e ele me acompanhou com sua bike por alguns minutos até o meu portão, assim nos despedimos, sem cerimônias e sem palavras. Tudo era diferente com ele.
Passaram-se os dias; chegando na escola eu o vi entre os alunos, não me lembrava dele na escola, puderá, ele era rebelde e estava no último ano. Lá estava eu, mais uma vez, pega olhando para ele com olhares furtivos, sem demostrar meu interesse em beija-lo mais uma vez . Ele era mais velho, estava se formando na 8ª série e eu na 6ª.
         Nos intervalos, era difícil nossa aproximação, ele pertencia ao um grupo mais maduro e era primo da garota mais popular do colégio, detalhe, não sei por quê, mas ela não simpatizava com a minha pessoa. Decidi não me aproximar dele.
         Passaram os dias até que chegou o fim de semana, era noite quando resolvemos fazer uma pequena reunião em minha casa, assávamos batatas em um fogão a lenha entre as antigas paredes do meu quarto inacabado, ali estavam, meu amigo e duas primas, passávamos quase todo fim de semana entre aquelas paredes, conversando e depois subindo no telhado para observar as estrelas. Lembro-me do calor da lage e quão inumerosa eram as estrelas aquela noite; ouvi um bater de palmas e uma voz grossa a chamar pelo nome do meu amigo. Estava em cima do telhado quando vi aquela figura alta e magra, de lábios incrivelmente carnudos, ele entrou e olhou para cima onde eu estava no telhado, resolvi descer e me aproximar dele, mais uma vez. Já passavam das dez horas quando os pais começaram a chamar um por um dos integrantes do grupo, sobrando por último ele e eu... não sabia o que dizer, se mandava ele ir embora ou se o beijava. Não precisei pensar muito, em meios aos devaneios da minha mente, ele me surpreendeu com um beijo, este ainda mais demorado, mais intenso, mais cheio de vontade. Nunca tinha sentido aquelas sensações, os arrepios, as pernas bambas e um sentimento tórrido. Resolvi me afastar antes que as coisa ficassem um tanto quanto estranhas entre nós, estava confusa com o turbilhão de sensações que ele provocava em mim. Decidi juntar as brasas e guardar os espetos, já passavam das 23hs quando resolveu se despedir, me deu mais um beijo, desta vez mais suave.
        Os dias foram se passando, e os fins de semana em meios as paredes do meu quarto era a oportunidade perfeita para nosso encontro. Todos já sabiam do nosso romance.
      Em meio a conversas ele me fez a promessa que, naquela semana me apresentaria para todos do colégio como sua namorada, até então, ficávamos cada um com o seu grupo, sem palavras, somente troca de olhares fortuitos.
        Chegou a tão esperada semana, enfim, todos saberiam que eramos um casal, mas isso não aconteceu... não era um bom dia certamente. Estava ensolarado, a frente a professora anunciava uma prova surpresa e pedia a todos que estudassem, quando de repente, o sinal do término da aula ecoava nos corredores da escola, meu coração saia pela boca pois sabia que naquele dia, ele iria assumir o nosso amor. Ao sair pela porta da sala de aula me deparei com uma cena de partir o coração. Sua prima popular e sua fiel amiga me cercaram no corredor das salas; quando voltei meus olhos para o pátio, tentei encarar aquele cena que embrulhava meu estômago e me dava um nó na garganta... era ele... abraçado a uma garota loira, até então, não havia notado a sua presença no colégio. Ela aparentava ser da mesma idade que a dele, mas o que importa, ele estava ali, diante dos meus olhos anunciando para todos ouvirem que, "aquela era a sua namorada".
         Não sabia o que fazer, queria correr, sumir dali e chorar, mas aquelas brutamontes estavam diante de mim, com aquele sorriso de satisfação por verem a minha tristeza e vergonha diante daquela cena... então voltei para sala e chorei.
        Alguns anos se passaram desde a última vez que o vi. Estava retornando para o bairro depois que meus pais se separaram, estava diferente, mais madura.
        Era noite quando resolvi visitar a minha prima para jogar uma partida de pife, ela e seu namorado. Uma voz veio da janela, chamando pelo nome da minha prima, aquela voz era inconfundível, era ele... meu coração saltou pela boca quando o vi entrar pela porta, estava diferente, com um ar mais revoltado, com piercing pelo corpo e os cabelos mais curtos. Minha prima resolveu apimentar a brincadeira fazendo apostas, quem perdesse no jogo pagaria uma prenda... era tudo um plano. No começo ganhei algumas partidas, o clima já estava ficando chato, então resolvi perder e ver qual seria minha punição. Era o esperado para a noite... minha prima ditou a primeira punição.. beija-lo no peito. Me preparei para o feito da noite quando percebi, dois novos adereços em seu corpo, um piercing em cada um de seus mamilos, admito que me surpreendi ao ver o seu peito nu com os adereços brilhando a luz das velas, ao qual foram colocadas no quarto para tornar a jogo com mais suspense. Na penumbra, percebi o seu peito arfar com o toque dos meus lábios, toda aquele desejo por ele estava ali dentro de mim, mas a mágoa da humilhação não permitia nenhum sentimento bom por ele, queria que ele sofresse e chorasse.
       Passaram-se alguns dias desde a nossa brincadeira, mais uma vez estávamos a sós, desta vez em meu quarto. Ele estava ali, diante de mim com um olhar arrependido me pedindo desculpas, no rádio começou a tocar a música da banda, " Silverchair - Open Fire", foi quando ele me pediu para namorar, se ajoelhou e começou a cantar a música para mim; por um momento fiquei feliz com a declaração, mas a mágoa era mais forte. Olhei duramente para o seu rosto, na minha cabeça surgia o plano maquiavélico para faze-lo sofrer, como planejado, assim aconteceu. Durante o meu plano fraquejei, deixei vencer pelo sentimento que tinha por ele, foi quando, arrependida lhe contei toda a verdade.
        Naquela noite em especial, ele tinha em seu bolso um par de alianças para selar o nosso compromisso.  Diante de toda verdade dita, eu vi em seus olhos a decepção que sentia, o ódio por te-lo traído. Meu coração se despedaçou por ter feito, jogando fora toda a oportunidade de ser feliz por um capricho da vingança.. ele se foi e por anos não mais nos falamos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Confessando

Era fim de semana quando meus pais decidiram ir a casa dos meus tios, mais um típico fim de semana com a família.
Meu pai tinha uma Brasília vermelha de brilho espelhado, passávamos as tardes de sábado encerando e polindo-a. Na época era um carro bom e popular nas ruas, era o orgulho do meu pai.
Depois de chegar a casa dos meus tios, fiquei entediada e resolvi ir até o carro para escutar musica do velho som da Brasília. Estava indo em direção ao carro, quando passou por mim um moleque destrambelhado, correndo atrás da bola em farrapos com meu primo e outros garotos da rua; a minha vontade era de lhe falar umas boas, porém, mais uma vez fiquei presa ao feitiço de uma paixão instantânea em minha vida. Lá estava ele ... de pele branca, magro, alto, cabelos loiros e lisos até os ombros, sem camisa e de shorts vermelho, realmente era uma visão maravilhosa... então levantou o rosto, jogou os cabelos longos e loiros para trás das orelhas e me olhou; lembro-me do espanto que fiquei ao ver aquela beleza, parecia uma pintura de Michelangelo. Ele era de tirar o fôlego... olhos verdes, intenso e lábios vermelhos como morango, entre eles um sorriso, que me fez mais uma vez, sentir como uma manteiga derretendo por dentro ... lá vamos nós !
Passava os dias pensando nele, estava  ansiosa para que logo chegasse o fim de semana e assim poder vê-lo mais uma vez.
Os dias se arrastavam e não aguentava mais. Decidida a saber mais sobre aquele garoto, peguei o telefone e liguei para minha tia, com a intenção de quem não quer nada, somente para saber como estavam as coisas e lhe dizer que estava com saudades, uma desculpa para ir visitá-la todos os fins de semana. Liguei ... do outro lado da linha estava meu primo, o que era um alívio, pois não precisava falar por longos minutos com minha tia, não que eu não quisesse falar com ela, mas o meu principal objetivo era falar com meu primo, já que ele era amigo do garoto destrambelhado ao qual  meu coração instantaneamente se apaixonou. Meus amores platônicos e eu, começava a se repetir  em minha mente está frase desde o meu último fracasso no quesito "amor a primeira vista".
Não me delonguei, fui direto ao assunto com meu primo. Enchendo-o de perguntas sobre o meu "segundo amor"... de imediato ele sorriu e disse : _ "estava na cara que você gostou dele e vou lhe dizer, ele também está afim de você." Fiquei muda no telefone, tentando absorver aquelas palavras que não esperava... "está afim de você", como pode um garoto daquele se interessar por uma garota como eu? Sem curvas, magra e de pernas longas, cabelos castanhos e rebeldes. Ele havia me notado e correspondido aos meus sentimentos.
Uma semana se passara desde que o vira pela primeira vez.
Ao chegar na casa de minha tia, com vergonha, pois sabia que ele também havia se interessado por mim, corri para dentro da casa sem olhar para os lados.
Era tarde quando decidi sair na rua. Abrindo os portões eu vi aquela beleza, como pintura de Michelangelo, bem em minha frente, correndo atrás da mesma bola em farrapos que quase me atropelou há alguns dias atrás, não pude conter a expressão de "estou apaixonada" quando ele olhou para mim, meu coração quase saiu pela boca quando veio me chamar para entrar na brincadeira. Moleca como sempre fui, resolvi jogar uma partida com eles e ter a oportunidade de toca-lo e de ser tocada enquanto disputávamos aquela bola em farrapos.
Já era noite quando o jogo terminou e decidimos ficar sentados no passeio, conversávamos sobre tudo e sobre nada, em alguns momentos eu o percebia me olhar.
Amanheceu, a mesa do café da manhã era ótima, estava feliz por ficar tão perto de quem gostava e por saber que estava sendo correspondida. Decidi fazer uma carta simples e pedi ao meu primo que lhe entregasse, me lembro das palavras e do suspense que a carta contia.
_"Você aceita ficar comigo ? marque sim ou não", havia dois pequenos quadrados para que ele assinalasse. Meu coração ficou em pulos, corpo tremia as mãos suavam de ansiedade pela resposta. Meu primo estava demorando demais, de repente, ouvi um barulho vindo da caixa de correios, curiosa fui olhar e era a minha carta toda dobrada com o "sim" assinalado de vermelho e abaixo dizia : _"hoje não posso, vou sair com meus pais." , dei um pulo quando ouvi outro barulho na caixa de correios, era ele me mandando um bilhete pedindo para esperar ate a noite pois ele voltaria cedo e então poderíamos ficar. Não sabia se ficava feliz ou alegre, pois os meus pais já haviam combinado de me buscarem no fim da tarde. Fui até a caixa de correio da sua casa, escondida e com medo de ser surpreendida, deixando uma carta  dizendo que iria embora no fim da tarde e que, talvez na próxima semana estaria novamente na casa da minha tia.
Passaram-se alguns dias e o telefone tocou, ao atender me surpreendi e quase infartei quando ouvi a voz dele me dizendo: _"Oi ! Recebi sua carta, você vai para casa da sua tia este fim de semana?" . Naquele momento estava muda não sabia se dizia sim primeiro a sua pergunta ou se soltava , "Oi!" , que estava engasgado pela surpresa... decidi soltar os dois de uma vez , "Oi! Sim!" . Desconfiado ele perguntou: _"esta tudo bem? você pode conversar?". Lembro-me que na época passava a novela do SBT, "Chiquititas". Passávamos minutos conversando ao telefone, até chegar o dia em que nos encontraríamos, conversas adolescentes mas que na época eram maduras para nossa idade.
O fim de semana chegou, era sábado, a noite estava quente. Resolvi pedir aos meus pais para dormir na casa da minha tia, mas verdade a  intenção era para ficar com o meu "Michelangelo", havia uma missa a noite e estava tudo planejado, nos encontraríamos atras do muro da igreja, era escuro e perfeito para o nosso segredo. Foi então que o vi descer as escadas, com os cabelos sendo jogados para frente, aquele corpo esbelto e uma boca de tirar o fôlego... ele se aproximou e sem cerimônias me deu um beijo casto, lembro-me do calor e o quanto eram macios, me envolveu em um abraço e perdidos ficamos por minutos naquele beijo... que beijo! Era diferente com ele, mas o tempo e a distância se encarregaram de nos afastar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Esconde Esconde

Era uma noite qualquer, um dia comum na vida de uma adolescente.
Já se passavam das dezoito horas  quando meu mundo virou de cabeça para baixo.
Na janela da minha casa observava a rua quando um carro de mudança se aproximou e então surgiu diante do meus olhos o garoto mais lindo que eu já vira ...  pele cor de jambo, cabelos pretos e  lisos caindo nos olhos, um jeito diferente de andar, aparentava ser da  mesma idade que a minha, foi instantâneo o desejo de estar ali do mesmo lado da calçada que ele ...
Estavam de mudança, sua mãe e ele, não percebi, só queria admirar aquela beleza incomum e saber seu nome...
Amanheceu e sua lembrança  foi a primeira em minha mente ao levantar.
Eu queria saber o nome dele, saber quem ele era mas tinha medo...
Afinal, eu era magrela de pernas longas e cabelos castanhos que cobriam o meu rosto, de um andar desajeitado e joelho esfolado por ter brincado por horas de bola com os garotos da rua. Porque ele olharia para mim ?  Uma menina sem curvas e desengonçada, então ele olhou ... na noite anterior ele desceu do caminhão de mudança, se virou e me viu na janela o observando-o, tímida (boba) me escondi atrás das cortinas.
Se passavam das dez horas da manhã, estava inquieta na janela esperando ele aparecer,  então ouvi o barulho das grades do portão se abrirem... era ele ... meu primeiro amor.
Tudo aconteceu em meio a brincadeiras na minha rua, o sol já tinha se posto quando decidimos pela brincadeira de "esconde esconde", era inevitável não olhar para ele com aquelas afeições indígenas de sorriso largo, tímido, pois ainda era novo na turma, eu estava começando a parecer uma completa idiota olhando de soslaios até que ele se virou e olhando para mim, sorriu ... tão lindo, me senti um manteiga me derretendo por dentro com aquele sorriso. Começou a brincadeira e foi aquele corre corre, eu tinha meus esconderijos secretos e era muito boa na brincadeira, quando optei em me esconder no corredor de uma casa antiga no final da rua me deparei com aquela figura de tirar o folego... era ele, meu amor em segredo a menos de trinta centímetros de distância de mim, apertados e escondidos em um corredor estreito e escuro, nos olhamos por alguns minutos até que aconteceu... meu primeiro beijo!
Lembro-me da sensação de medo e de alívio, de ficar zonza e tremendo quando senti os teus lábios tocando os meus, foi em questão de segundos mas para mim parecia horas e então ele deixou os meus lábios e sorriu me dizendo: _ "Vamos acho que todos já se salvaram! " e então aconteceu o momento perfeito da noite, ao sairmos ele pegou a minha mão e juntos corremos de mãos dadas, me senti em um filme de "Bonnie e Clyde".... assim se tornou a minha brincadeira favorita com ele, sempre nos escondendo juntos para ter a oportunidade de mais um beijo e  segurar a sua mão. 
Eramos tão jovens, tudo tão inocente e puro, a felicidade que sentia toda voz que o vira era de me tirar o folego, nossos pais consentiram sobre o nosso namoro e estavam felizes, podia ver em suas expressões os reflexo do nosso amor que os faziam lembrar de sua adolescência, afinal era filha de um casal de jovens com pouco mais de 25 anos e fui concebida de um amor proibido ainda muito jovem na vida deles. Os dias foram se passando e o que sentia por ele aumentava a cada demostração de afeto e carinho, de cartas e presentes, dos jantares que os pais deles nos levavam e me sentia em um daqueles filmes de Veneza com gondolas e cantorias sobe nossas cabeças ... tudo ia bem ate que entrou em nossas vidas uma pessoa que se denominava minha família... começaram as brigas e toda a desconfiança, pois ela fazia questão de exibir sua sensualidade de uma jovem madura e experiente com mais curvas que a minha, era óbvio a admiração que os garotos tinham por ela, com seus cabelos castanhos e longos, sorriso perfeito e curvas perfeitas. 
Se passaram dez meses e 11 dias desde que meu mundo virou de cabeça para baixo, recebendo uma carta de poucas linhas que dizia: _ "Estou apaixonado pela sua prima e não quero mais ficar com você, se duvida pode me perguntar !" 
Meu mundo desabou, decida sai pelo rua e ir ao seu encontro pois estava do outro lado da calçada ao lado daquela que destruíra a minha primeira historia de amor, antes que as lagrimas descessem e meus lábios se abrissem para lhe dizer algo, ela o beijou diante dos meus olhos, abriu os olhos e sorriu com uma expressão , "ele é meu". e então meu mundo desabou.
Meu primeiro amor, meu primeiro coração partido.