quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Esconde Esconde

Era uma noite qualquer, um dia comum na vida de uma adolescente.
Já se passavam das dezoito horas  quando meu mundo virou de cabeça para baixo.
Na janela da minha casa observava a rua quando um carro de mudança se aproximou e então surgiu diante do meus olhos o garoto mais lindo que eu já vira ...  pele cor de jambo, cabelos pretos e  lisos caindo nos olhos, um jeito diferente de andar, aparentava ser da  mesma idade que a minha, foi instantâneo o desejo de estar ali do mesmo lado da calçada que ele ...
Estavam de mudança, sua mãe e ele, não percebi, só queria admirar aquela beleza incomum e saber seu nome...
Amanheceu e sua lembrança  foi a primeira em minha mente ao levantar.
Eu queria saber o nome dele, saber quem ele era mas tinha medo...
Afinal, eu era magrela de pernas longas e cabelos castanhos que cobriam o meu rosto, de um andar desajeitado e joelho esfolado por ter brincado por horas de bola com os garotos da rua. Porque ele olharia para mim ?  Uma menina sem curvas e desengonçada, então ele olhou ... na noite anterior ele desceu do caminhão de mudança, se virou e me viu na janela o observando-o, tímida (boba) me escondi atrás das cortinas.
Se passavam das dez horas da manhã, estava inquieta na janela esperando ele aparecer,  então ouvi o barulho das grades do portão se abrirem... era ele ... meu primeiro amor.
Tudo aconteceu em meio a brincadeiras na minha rua, o sol já tinha se posto quando decidimos pela brincadeira de "esconde esconde", era inevitável não olhar para ele com aquelas afeições indígenas de sorriso largo, tímido, pois ainda era novo na turma, eu estava começando a parecer uma completa idiota olhando de soslaios até que ele se virou e olhando para mim, sorriu ... tão lindo, me senti um manteiga me derretendo por dentro com aquele sorriso. Começou a brincadeira e foi aquele corre corre, eu tinha meus esconderijos secretos e era muito boa na brincadeira, quando optei em me esconder no corredor de uma casa antiga no final da rua me deparei com aquela figura de tirar o folego... era ele, meu amor em segredo a menos de trinta centímetros de distância de mim, apertados e escondidos em um corredor estreito e escuro, nos olhamos por alguns minutos até que aconteceu... meu primeiro beijo!
Lembro-me da sensação de medo e de alívio, de ficar zonza e tremendo quando senti os teus lábios tocando os meus, foi em questão de segundos mas para mim parecia horas e então ele deixou os meus lábios e sorriu me dizendo: _ "Vamos acho que todos já se salvaram! " e então aconteceu o momento perfeito da noite, ao sairmos ele pegou a minha mão e juntos corremos de mãos dadas, me senti em um filme de "Bonnie e Clyde".... assim se tornou a minha brincadeira favorita com ele, sempre nos escondendo juntos para ter a oportunidade de mais um beijo e  segurar a sua mão. 
Eramos tão jovens, tudo tão inocente e puro, a felicidade que sentia toda voz que o vira era de me tirar o folego, nossos pais consentiram sobre o nosso namoro e estavam felizes, podia ver em suas expressões os reflexo do nosso amor que os faziam lembrar de sua adolescência, afinal era filha de um casal de jovens com pouco mais de 25 anos e fui concebida de um amor proibido ainda muito jovem na vida deles. Os dias foram se passando e o que sentia por ele aumentava a cada demostração de afeto e carinho, de cartas e presentes, dos jantares que os pais deles nos levavam e me sentia em um daqueles filmes de Veneza com gondolas e cantorias sobe nossas cabeças ... tudo ia bem ate que entrou em nossas vidas uma pessoa que se denominava minha família... começaram as brigas e toda a desconfiança, pois ela fazia questão de exibir sua sensualidade de uma jovem madura e experiente com mais curvas que a minha, era óbvio a admiração que os garotos tinham por ela, com seus cabelos castanhos e longos, sorriso perfeito e curvas perfeitas. 
Se passaram dez meses e 11 dias desde que meu mundo virou de cabeça para baixo, recebendo uma carta de poucas linhas que dizia: _ "Estou apaixonado pela sua prima e não quero mais ficar com você, se duvida pode me perguntar !" 
Meu mundo desabou, decida sai pelo rua e ir ao seu encontro pois estava do outro lado da calçada ao lado daquela que destruíra a minha primeira historia de amor, antes que as lagrimas descessem e meus lábios se abrissem para lhe dizer algo, ela o beijou diante dos meus olhos, abriu os olhos e sorriu com uma expressão , "ele é meu". e então meu mundo desabou.
Meu primeiro amor, meu primeiro coração partido.

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