terça-feira, 27 de junho de 2017

Em meio a tempestade

Começo a observar a vida e ver os caminhos aonde trilhei durante toda a minha vida. 
Talvez eu teria uma família hoje...
Seria alguém na vida...
Estaria realizando sonhos e vivendo cada um deles...
Teria sido uma pessoa diferente, mais segura e amável pelas outras pessoas...
Teria amigas de infância...
Teria inúmeros troféus e medalhas em meu quarto...
Teria um Quarto cor de rosa...
Teria uma prateleira cheia de livros e alguns de minha autoria com versos que antes compunha...
Estaria me formando em medicina ou bombeiro e até mesmo na Aeronáutica...
Teria cães em minha casa...
Teria uma casa... 
Um lar...
Mas a minha história foi escrita com inúmeros capítulos de decepção, medo, tristeza, revolta, mágoas e frustrações... 
Um lar destruído...
Uma infância reprimida...
Agressões físicas e verbais...
Violência doméstica...
Como eu poderia tirar o melhor disso tudo e ser uma pessoa melhor? 
Encontrei a Deus...
Mas o mundo me fez distanciar dEle e mais uma vez outras paginas em minha história foram escritas com os mesmos sentimentos.
Uma série de capítulos intensos...
Mas desta vez parecia ser pior...
O Buraco que antes existia parecia ainda maior e mais fundo, consumindo o meu coração e tragando para dentro de si todas as coisas boas guardas em seu lugar...
Sofri decepções...
Humilhações...
Fui enganada...
Perdi 8 anos da minha vida sendo rebelde e querendo escrever a minha própria historia com tudo isso eu sofri por um relacionamento platônico e humilhante, depois pensei que seria feliz dando a chance para um novo amor e mais uma vez, por seis anos, investi em algo sem futuro... No fundo eu sentia e sabia que não era para mim, mas eu era teimosa. 
Sofri de amores e fiz loucuras para arrancar aquele amor dentro do meu peito...
Mais uma vez Deus me salvou de mim mesma...
Estava grávida...
Confusa, frustrada e com um medo enorme de ser para ela a sombra do meu algoz de minha infância...
Em meu coração havia tanta revolta, tanta tristeza, tanto ódio...
Eu queria explodir...
Subir em um alto monte e gritar tudo que estava sufocando o meu peito colocando para fora tudo de ruim que já havia vivido, sentido e presenciado em minha vida como se um grito fosse uma especie de rolha que permitia que de tudo pudesse sair de dentro de mim...
Chorava por toda a gravidez me sentindo sozinha e abandonada... 
Ter em meu ventre uma criança renegada pelo pai...
Uma criança que mesmo antes de nascer já estava condenada a uma vida de dores e sofrimentos, físicos e emocionais...
Saber que a cada mês que se passaria eu ainda estaria sozinha com uma criança inocente, renegada e doente.
E no ponto alto de minha vida, meses após o seu nascimento saber que aquele amor paternal ainda lhe era negado. 
Estava ali, diante da tela do celular onde através de uma mensagem havia com as seguintes palavras escritas a seu respeito pelo próprio pai:
_” Não sou pai de sua filha, pode até provar que sou, mas não quero contato nenhum com vocês, nem acompanhar o crescimento...
Meu coração não consegue me ver como pai de sua filha, minha família não será família dela, infelizmente. Mas como eu disse não quero contato direto com você nem com ela, não tenho vontade alguma de ver ou conhecê-la, não quero fotos vídeos ou história, já tenho quem eu amo e que está esperando um filho que amo.”
Te pergunto...
Como você se sentiria?
Aquele mesmo buraco parecia tomar proporções inimagináveis dentro do meu peito.. 
Então surtei...
Foi um grito baixo em cima de uma montanha bem alta, uma fresta daquela rolha havia cedido dentro do meu peito fazendo que um pouco daquela essência pútrida saísse de dentro de mim...
Os vizinhos ouviam os meus gritos, mas de nada poderiam fazer... 
Quando voltei a si estava com minha filha em meus braços, balançando-a num reflexo maternal para que ficasse calma e segura... 
Eu havia perdido de mim mesma, mas uma parte de mim ainda estava lúcida e respondia ao instinto maternal. 
Para mim foi o suficiente... 
Comecei a me ver como o tipo de pessoa em que tornara e que eu não queria ser mais...
Diante daquele poço em que me encontrava, mas ainda lúcida e ciente do que queria para minha vida um outro capítulo se escrevia...
Passara a ser atormentada por sonhos e manifestações paranormais durante a noite em meu quarto, sentindo ser arrastada pela cama...
Acariciando meu corpo...
Como se um peso enorme me impedisse de se mexer, levantar e falar... 
Foi então que passei a dormir com todas as luzes acesas assim eu teria paz como ainda estou tenho, porém as noites parecem dia e meu corpo a cada dia sente, pois não durmo direito adoecendo com frequência.
Tento a cada dia dar o melhor que posso para minha filha, nunca deixando lhe faltar nada mesmo que me custe uma alimentação, vestimenta ou calçado para meu proveito e uso... Até mesmo um aluguel. 
Somente Deus sabe o que eu estou passando e sentindo, o que sinto ao entrar naquela casa de três cômodos, entrar pelo quarto e colocar a minha filha adormecida na cama, sentar-se ao seu lado e passar horas olhando para ela, acariciando o seu cabelo e a pele rosada de suas bochechas e em oração pedindo a Deus em silêncio forças para cuidar dela, refrigério nas minhas tribulações e um vislumbre de que tudo que estou passando eu ainda terei a minha vitória, que serei feliz e farei da minha filha um ser humano maravilhoso, alguém melhor do que eu jamais poderia ser um dia.
É com este restinho de força e fé, com este amor que tenho por Deus que vivo debaixo da sua misericórdia a cada dia não me deixando perecer e um dia... Para Honra e Glória de Deus eu verei um milagre... a cura da minha filha!

Minha maior alegria...

Meu grande amor...
Minha polothieza...
Se para tê-la eu teria que passar por tudo isto, eu passaria mil vezes.

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