11 de Abril de 2016
Tudo começou com uma indisposição após um
jantar, seguidos de dois finais de semana com um enjoo que aumentava a cada
dia, e uma dor na boca do estômago. Minha mãe suspeitava daquele mal estar,
alertando de uma possível gravidez, mas me recusava a acreditar que poderia
ser, pois estava protegida e a efeito da medicação estava dentro do prazo para
um possível atraso. Aquela sensação suspeita começou a me deixar curiosa, muito
mais que o normal. Decidida a tirar aquela dúvida fui até uma farmácia no
horário do meu almoço e comprei um teste. Estava no banheiro do escritório,
preparei para que o teste fosse feito sem margem de erro.
Foi então que aconteceu... Estava em pé diante de um resultado que iria
mudar a minha vida diante daquele recipiente mergulhando o medidor, aguardando
a confirmação de que daquele dia em dia tudo iria mudar, todas as coisas seriam
vistas de forma diferente e que todos os meus atos e ações iriam ser repensadas
para que o mundo não girasse contra a quem estava ali dentro de mim, ainda tão
pequena quanto um grão de arroz. O resultado foi imediato... Estou grávida!
Naquele momento não houve reação, estava calma e tranquila como nunca
pensei que ficaria diante de um resultado tão sério e que iria mudar toda a
minha vida. Respirei fundo e então percebi que estava recebendo o melhor
presente da minha vida, que ela seria muito mais do que sonhei para mim e até
mesmo do que nunca sonhei em ser. Pensei que iria surtar ou cair em lágrimas
ali mesmo, mas estava tão segura de mim que pensei logo em contar para minha
mãe a quem sempre me cobrava de uma forma brincalhona que deseja ser avó entre
outros da família com aquela típica piadinha, “ estava ficando velha, não vai
dar uma netinha para sua mãe?”. Mas não me importava com estas “frases” e
pensava em outros planos para minha vida, mas sempre fui uma covarde para meus
sonhos e muita das vezes deixara pela metade o que planeja com medo do fracasso
e da decepção.
Resolvi mandar uma mensagem para minha mãe com a foto do resultado
dizendo: _Não enfarte mãe!
Ela respondeu de forma feliz e preocupada com a situação, orientando a
buscar um médico para um resultado mais absoluto e também o tempo de gestação.
Conversamos um pouco sobre possibilidades e futuro, sempre com cautela e
orientação devida do médico para uma gestação saudável. Daquele dia em diante
minha barriga parecia ter aumentando de uma forma tão repentina que o que não
aparecia se revelou. Uma barriga arredondada e saliente de forma que as pessoas
já reconheciam em mim a dádiva de ser uma futura mamãe.
12 de Abril de 2016
Acordei pela manhã para fazer o exame de endovaginal e sangue assim
constatar a gravidez, estava ansiosa, sem medo. Liguei para minha mãe e
comuniquei que estava a caminho e se ela poderia me acompanhar, mas era
impossível naquele dia, ela estava cuidando de minha Irmã com pouco mais de 1
ano e não teria como deixa-la na creche neste dia. Decidi ir sozinha e viver
este momento somente Deus e eu...
Estava na sala de espera do Hospital Vila da Serra, havia algumas mães
também aguardando para realizar o exame e então comecei a olha-las e ver em mim
traços maternos, imaginar a minha barriga como a delas e também o glorioso e
dolorido momento do parto. A moça que auxiliava a médica chamou pelo meu nome
isto fez o meu coração saltar e para na boca do estômago, senti as veias
pulsarem em meu rosto como o bater de um coração, respirei fundo e entrei. A
médica pediu que tirasse a minha parte de baixo e deitasse sobre a maca,
deite-me e ela me fez algumas perguntas como: A última menstruação, o que
estava sentindo, se eu tinha algum problema de saúde, se eu fazia a prevenção.
Repassadas todas as informações contei-lhe que há alguns meses através de um
exame também de endovaginal fora constato um cisto no lado esquerdo na minha
trompa. A médica logo o detectou e posteriormente apareceu uma bolinha branca
diferente, meio em formado de gota e então a médica colocou o som para que eu
escutasse... Como um bater de asas de um beija-flor era assim o seu coração,
ele pulsava tão intensamente, tão forte. A emoção veio aos meus olhos e eu tive
uma sensação de que um peso enorme desaparecia de dentro de mim... Eu me ternei
mãe!
Não via a hora de sair da sala de exame e contar logo para a minha mãe e
para as pessoas que estimava. Era uma nova fase da minha vida e ao sair da
porta do Hospital parecia que o mundo havia se transformado na verdade eu que
não seria mais a mesma... seria melhor!
Endovaginal
Medidas: 24,7 mm
Coração: 182 bpm
Gestação
DUM: 8 semanas e 5 dias
Tópica: 9 semanas e 3 dias
13 de Abril de 2016
Após fazer o teste e constatar a gravidez no meu coração batia uma
dúvida, conto ou não conto para o ele ("Destino")? Afinal, nada mudaria entre nós, mas
mudaria a nossa vida individualmente. Havia algumas semanas que não
conversávamos mais por conta de uma implicância sem motivo com ele... Creio que
já era um sintoma hormonal da gravidez. Passei toda a manhã no serviço com este
pensamento me perturbando, então decidi pegar o telefone e escrever uma
mensagem para ele, queria marcar um dia para conversaremos e assim contar a
notícia. Comecei a conversar com um “oi, Tudo bem com você”? Perguntei de forma
irônica se ele se lembrava de mim, a fim de puxar uma conversa mais
descontraída para um assunto muito sério que viria logo após, não queria falar
de cara e enfartar o pai da minha filha. Coincidentemente havia uma chamada
perdida do Whats app registrada no meu celular, aproveitei e perguntei com quem
não quer nada se ele havia me ligado, ele disse que nem viu foi então que
resolvi fazer a primeira pergunta:
_“ Preciso conversar com você pessoalmente na semana que vem, pode ser?
Ele disse: _Não esta grávida não né?
Eu respondi com risos e logo após ele mandou pontos de exclamações para
que respondesse a sua pergunta de forma direta e assim o fiz:
_Sim!
Ele logo ficou nervoso, questionando que não poderia ser, pois eu havia
lhe dito que tomei a pílula do dia seguinte, e assim fiz, pois não estava nos
meus planos engravidar e muito menos dele, pois não tínhamos nada sério somente
ficamos por alguns meses e em certo ponto da nossa relação, como ordem natural
das coisa, eu comecei a sentir algo por ele, mas ele não correspondia. Para que
eu não sofresse decidi parar encerrar a minha história com ele
Entre poucas palavras ele disse a seguinte frase: ___você quer tê-lo?
Acho melhor tirar, não quero ter filho... Não agora. Voto em tirar, damos um
jeito de pagar.
Aquelas palavras me trouxeram náuseas, me revirou o estômago em ver como
ele era frio mesmo tendo mandado para ele o áudio do seu coraçãozinho batendo.
Ele por diversas vezes indagou que o filho não era dele e sim do meu
ex-namorado a quem já havia terminado há mais de três meses e que mal tinha
relações com ele por justamente estar confusa a tudo que sentia. Então ele teve
a brilhante ideia de sugerir a seguinte coisa: __... “se você estivesse pelo
menos namorando, poderia ter outro pai, não posso ter isso agora”.
Neste momento tive a certeza de que ele era um babaca, que todo seu
estudo e as filosofias que indagava seguir, e viver não fazia jus a sua atitude
naquele momento.
A suas últimas palavras foram: __ “Tem noção da loucura que é ter esse
filho assim”?
Eu disse: __ “Muito mais do que imagina”.
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